26/06/11

O POVO

O grupo social mais, digamos assim, fraquinho, era o povo, que em geral não possuía terras embora fosse ele a trabalhá-las para garantir o seu sustento, da sua família, dos seus senhores e respectivo agregado. Por tudo isto será correcto afirmar que o povo era o grupo social mais culto, pois trabalhava para alimentar toda a sociedade ignorante de fidalgos que vivia sob o lema “nem só de pão vive o homem”.
Apenas o povo se dava conta que isto não era verdade, sabendo que, caso entrasse em greves e jornadas de luta, a sociedade cairia pela base.

As casas dos camponeses eram geralmente muito modestas, T0 ou T1, sem casas de banho ou salas de estar, com pouca mobília e cheiro a bafio. Como elementos valorativos em termos de IMI, podemos apontar a existência de ar condicionado (pelo tempo que fizesse no exterior), telhados rústicos em colmo e colchões de palha de características ortopédicas, adquiridos via TV-shop. A sua alimentação era à base de pão negro (principalmente, quando ele caía no chão), cebolas, alhos e toucinho, o que dá saúde e vigor, conforme comprova o dr Rogoff. A energia assim adquirida era consumida na agricultura e na pecuária, sobre as quais recaíam as rendas dos senhorios. Vejamos o exemplo de uma passagem do foral de Penacova:

“Aquele que lavrar com dois bois pague um moio; aquele que lavrar trigo ou milho ou centeio dê uma teiga do pão que lavrar (...) o peão dê a dízima do seu vinho (...) os peões façam cubas e casas no castelo de Penacova”.

Por aqui se vê que para pagar todas as suas contribuições, o camponês ficava de pés para a cova, daí o nome da povoação. Além disso, eram obrigados a procurar um dicionário buscando o que seria uma teiga ou um moio, o que equivalia a dizer que os impediam de pagar as suas contribuições a tempo e horas, por via do seu analfabetismo funcional.

A agricultura era rudimentar e, embora aproveitando um recurso natural ainda hoje muito abundante – o estrume – a produtividade era pouca, as alfaias puxadas por bois e os produtos escoados para o estrangeiro nos alforges de burros, o que não permitia grandes apresentações em feiras internacionais.

13/06/11

O CLERO

O outro grupo social de prestígio era o Clero, agregado em dois sub-conjuntos: o clero regular e o secular. O clero regular era constituído pelos que exerciam a religião mais regularmente, pois viviam em mosteiros e a isso eram obrigados, por falta de outras opções de lazer.
Entre eles temos as ordens militares-religiosas, já tratadas nesta obra, e os monges dominicanos (que apenas mugiam ao domingo). Os mosteiros eram dirigidos por um abade, que às refeições era sempre o último a levantar-se e daí a expressão “comer que nem um abade”. Já os monges, vestiam-se todos da mesma maneira, e tornou-se hábito designar com tal o dito cujo.

Quanto ao clero secular, eram assim chamados por serem muito velhos, levando séculos a subir na hierarquia, para chegarem a bispos e cardeais. Para além do serviço religioso, o clero apropriava-se de outras funções, como a assistência a doentes e o ensino, deixando por isso no desemprego milhares de médicos e professores. O sucesso das suas boticas, com remédios feitos a partir de raízes e folhas de plantas, suplantava largamente o atendimento nas caixas de previdência, onde enfermos e peregrinos tinham de suportar horas e horas de espera para uma consulta, com a agravante de por essas alturas não haver ainda o hábito enraizado de ler revistas antigas nas salas de espera.

A educação tinha vários defeitos: funcionava em circuito fechado, isto é, os professores eram do clero e ensinavam os futuros clérigos; não havia lei de bases do sistema educativo; as propinas eram elevadas e o material educativo estava pela hora da morte, pois todos os livros eram edições de luxo, copiados e ilustrados à mão, com folhas de pergaminho e capas de cabedal trabalhado.
Os testes eram muito difíceis, pois eram escritos em latim, o que para a maioria era chinês, embora os monges copistas tivessem sempre boas notas, talvez por defeito de profissão.

Às ilustrações chamavam-se “iluminuras”, o que era um contra-senso, pois geralmente eram feitas quase às escuras, no interior de grandes bibliotecas, o que justifica a qualidade desses desenhos, pois se o monge estava a trabalhar às escuras e não fizesse uma boa iluminura, não conseguiria ver o resto do trabalho.

12/06/11

A NOBREZA

Neste grupo social podemos considerar dois sub-grupos: a Alta Nobreza (ricos homens, com mais de 1,80m, olhos azuis e compridos cabelos louros, que adoravam desfilar na corte com seus gibões de pavão) e a Baixa Nobreza (todos os outros nobres e escudeiros que apenas sugavam o sustento do rei, acompanhando-o para todo o lado nas funções de guarda-costas ou guarda-peitos da rainha). Entre os nobres temos também os infanções, ou seja, os infantes-escanções, encarregues de provar o vinho real.

A maioria dos senhores vivia em castelos, habitando nas torres de menagem, as quais abriam à visita de turistas para excursões guiadas nos feriados. No salão nobre tomavam as refeições, ricas em hidratos de carbono, gorduras monoinsaturadas, triglicéridos e lípidos com fartura; o mobiliário era reduzido e de design minimalista (tipo ikea mas em rústico), e, nos dias frios, acendiam-se lareiras, o que, não dominando ainda o fabrico de chaminés, arte que só chegaria com a conquista completa do Algarve, lhes deixava a roupa impregnada de um aroma a fumeiro, digno de chouriças barrosãs.
A principal ocupação dos nobres era o combate, usando espadas, lanças, maças, escudos, fisgas, pontapé nas canelas e cuspidelas. Cada cavaleiro tinha um escudeiro que, como o próprio nome indica, lhe tratava das finanças e preenchia os recibos verdes, que o seu senhor tinha de emitir em troca dos escudos recebidos pela participação nos combates.
Por vezes, caçavam cervos, ursos, javalis ou camponesas indefesas e, quando o ar livre não o permitia, dedicavam-se a jogos de sala, entre eles o xadrez. Embora não fosse de bom tom, a sua manobra preferida era comer a rainha com o bispo. Para animar o ambiente, existiam os jograis e os trovadores que, acompanhados à viola e ao bandolim, declamavam poemas, cantavam canções e levavam com tomates podres quando a música não agradava aos ouvintes.

01/05/11

ORGANIZAÇÃO SÓCIO-ECONÓMICA * INTRODUÇÃO

Durante esta época de conquistas e reconquistas a sociedade portuguesa foi evoluindo, embora lentamente como é seu apanágio, na sua organização.
Perguntar-se-á se os jovens estudantes terão também de formar o seu conhecimento sobre estas matérias. A resposta é sim, porque mesmo que não tivessem, o contrato obriga os autores desta obra a arranjarem matéria para o máximo de volumes possíveis.

Assim sendo, comecemos pelas guerras contra os mouros, nas quais os reis recebiam muita ajuda de profissionais liberais como os cruzados e os cavaleiros nobres. Estes cavaleiros eram as pessoas mais importantes do reino, por possuírem muitas terras e poderes dados pelo rei e, ainda hoje, mantêm a sua influência no país, nomeadamente, através das Carnes Nobre, SA, produtora de salsichas, fiambres e chourições. Além disso, dado que as guerras eram contra os infiéis, também nelas participavam alguns membros do clero, através das chamadas Ordens Militares-Religiosas.
Dado o carácter fechado que a Santa Sé apresenta até hoje, não é possível sabermos ao certo de que se tratavam estas ordens. Enquanto uns historiadores afirmam que as ordens militares-religiosas eram ordens dadas pelo rei e pelo papa ao mesmo tempo, outros historiadores, certamente menos parvos, apontam estas ordens como sendo constituídas por padres-guerreiros dispostos a defender as igrejas dos ataques dos ladrões. Esta hipótese parece-nos mais verosímil, pois em verdade os padres, monges e frades destas ordens militares-religiosas adoravam uma boa luta onde pudessem dar no canastro aos muçulmanos, tudo, como é óbvio, com boas intenções cristãs.

Não esquecendo o importante papel destas ordens, a maioria dos combatentes cristãos eram homens do povo, sem direitos mas com muitos deveres, que os senhores usavam nas batalhas por constituírem mão-de-obra barata, sem regalias e com contratos precários – o verdadeiro protótipo da geração à rasca – fazendo umas horas extra para ajudar o orçamento familiar ou, caso o senhor estivesse bem disposto, podendo candidatar-se a alguma das bancas deixadas livres pelos muçulmanos.
A principal preocupação dos nossos reis eram as terras recentemente conquistadas, pois se não fossem povoadas e cultivadas, ficariam sujeitas a que os retornados muçulmanos as ocupassem de novo, edificando construções clandestinas que depois seriam muito difíceis de derrubar para os expulsar, e isto já não falando nas bolsas de pobreza que esta ocupação selvagem do território poderia criar nos subúrbios das grandes cidades.

Como as terras conquistadas eram por princípio do rei, a distribuição era feita quer através de leilões imobiliários (como forma de angariar receitas), quer através de doações (embora não dedutíveis em sede de IRS). Para si, o rei reservava certas terras com maior valor imobiliário quer pelos seus recursos quer pela proximidade a grandes vias de comunicação – a estas terras dava-se o nome de Reguengos, como Reguengo do Alviela ou Reguengos de Monsarraz. Os reguengos eram assim as terras do senhor (não aquele que é omnipresente, mas o que é omnipotente).
As terras dadas aos grandes senhores eram conhecidas como senhorios, pois estes apareciam em casa dos aldeões, normalmente até ao dia 8 de cada mês, para recolher as rendas que os colonos lhes deviam. Se estes não pudessem pagar na data acordada, tinham ainda um prazo alargado de um dia, para o fazer, caso contrário, seriam despejados sem aviso prévio. Se os senhores das terras fossem do jet-set, as propriedades também eram conhecidas por honras, devido à honra que os camponeses tinham em poderem trabalhar como escravos para gente tão ilustre, tão in e tão bem, que passava a vida em festas.

Caso as terras pertencessem ao clero, eram chamadas de coutos, o que depois da reforma agrária deu origem a famílias poderosas conhecidas como Coutos. Da evolução genealógica destas famílias, temos hoje dignos representantes como sejam o Couto do ramo da pasta medicinal, ou o Couto do ramo dos Fernandos, que deu grandes centrais de futebol ao país.

Outra forma de povoamento consistia em dar regalias especiais aos homens do povo que para lá quisessem ir, como isenção de sisa, redução de contribuição autárquica, redução de IRS (Imposto para o Rei, dos Súbditos), etc, por meio de uma carta de foral, documento escrito em que se fixavam as regalias e as obrigações (mais estas), dos moradores de determinada povoação. Essa povoação passava a chamar-se concelho, e se fossem bons concelhos, deviam ser seguidos. Os seus habitantes eram conhecidos pelo nome de vizinhos, pelo que, aqueles do povo que ficavam fora dos limites de um concelho e sem os seus benefícios, podiam dizer que “a galinha do meu vizinho é sempre mais gorda do que a minha”. Outras das desvantagens, caso tivessem telhados de vidro, era não convir atirar pedras aos vizinhos.

Genericamente, a sociedade era constituída por três grupos sociais: um alimentava os três, outro rezava pelos dois e o terceiro defendia-se a si próprio. A Nobreza era a classe mais alta de manda-chuvas, logo a seguir ao rei, enquanto o Clero era um partido independente que defendia o Cristianismo Ronaldismo. Já o povo era a classe mais baixa, isto é, as pessoas vulgares e não atraentes.

17/04/11

INDEPENDÊNCIA E ALARGAMENTO (iii)

Como já se disse, D.Afonso II engordou o poder real até morrer, altura em que subiu ao trono, embora com dificuldade, o seu filho D.Sancho II, de treze anos apenas. Este jovem veio a revelar-se como o antepassado cultural dos futebolistas portugueses da actualidade, dadas as suas características, como se pode ler no seguinte texto, da autoria do historiador José Irmão Sem Raiva:

“Quando em campo, D.Sancho II conseguia aliar a sua bravura a uma enorme sabedoria das cousas da guerra. No entanto, os seus dotes de oratória e diplomacia deixavam algo a desejar. Jovem, gostava mais de ir para o campo pelejar, do que ficar a burilar os meandros da política, que o dominam...”

Os senhores feudais, aproveitando-se da pouca habilidade do rei para jogos de palavras, tentavam reaver os antigos poderes, multiplicando desordens internas, sem que D.Sancho II tivesse a coragem política necessária para chamar a polícia de intervenção, não se preocupando com as eleições. Como se sabe, este medo era injustificado, porque na altura nem sequer haviam eleições.

Alguns bispos, pessoas pouco dadas ao forrobodó que se vivia, escrevem uma mensagem para Roma, informando o Papa do que se passa – aquilo a que nós historiadores costumamos designar pelo termo técnico de “queixinhas”. D.Afonso, conde de Bolonha, irmão de D.Sancho II, inventa o termo “força de bloqueio” e começa a fomentar a acção dos descontentes, minando ainda mais o ambiente de guerra civil, onde se formam dois partidos (o do rei e o do infante), que se guerreiam entre si em comícios, manifestações, visitas a praças para distribuir acenos e aventais às peixeiras, colando cartazes nos castelos, etc.

O Papa Inocêncio IV (que pelo nome se percebe não ser muito astuto), desliga os portugueses da obediência a D.Sancho II e indica o irmão como regedor do reino, o que é bastante para que o “Bolonhês” entre em Portugal como “visitador e curador” do reino, o que muito desagrada à Ordem dos Médicos,
que não reconhece o diploma de curador de D.Afonso – ainda e sempre a questão de Bolonha. Vencido e espezinhado pelo irmão, D.Sancho II retira-se para Toledo onde viria a falecer, herdando legalmente a coroa, D.Afonso III. Desta sucessão ao trono e da tareia dada ao irmão, surgirá mais tarde o termo “pisa à bolonhesa”.

A sua governação foi muito útil ao reino, ou pelo menos assim dizem os cronistas pagos por ele. Conquistam-se definitivamente Faro, Albufeira, Tavira, Porches, Ferraris e demais localidades algarvias que nos tornam, hoje, na nação europeia com as fronteiras mais antigas. Pelo meio ficam alguns desaguisados com Afonso de Castela, que tinha planos para incluir o Algarve no seu roteiro turístico de Marbella, Benidorm e Torremolinos. Porém, D.Afonso III desloca-se a Badajoz e consegue dois importantes feitos: primeiro, compra os caramelos desejados por seu bisavô D.Afonso Henriques; segundo, assina um tratado que coloca definitivamente o Algarve do lado de cá da fronteira.

Em 1254, convoca as Cortes de Leiria, onde pela primeira vez o sujo e desmazelado povo tem direito a sentar suas nalgas na assembleia. Estabelece em Lisboa a capital do reino, com grande inveja dos nobres das Antas, desenvolve a indústria e o comércio do sal, exportando para a Europa uns salgadinhos que são um sucesso de vendas. Tendo estudado em França, o rei tem vistas largas, e apercebendo-se na nossa natural tendência para meter água, desenvolve também a indústria naval (submarinos não incluídos).

07/03/11

INDEPENDÊNCIA E ALARGAMENTO (ii)

Assim, em troca de uma desinteressada contribuição paroquial de quatro onças de ouro por ano, o carimbo final foi colocado no processo em 1179, reconhecendo finalmente na bula papal que D.Afonso Henriques era o legítimo rei do legalmente considerado reino de Portugal. Finalmente, chegara o alvará.
Entre 1143 e 1179, D.Afonso Henriques teve de se entreter com outras coisas enquanto aguardava o seu reconhecimento pela Santa Sé e decidiu voltar-se contra os mouros, para os expulsar de vez. Golpes decisivos: Santarém cai em 1147 nas suas mãos, fulminada por um assalto surpresa à mão armada, e logo de seguida, após cerco que durou quase todo o verão, é conquistada Lisboa, com um importante contributo dos Cruzados, que por acaso aqui passavam a caminho da Terra Santa e que foram feitos voluntários à força nesta guerra contra os muçulmanos. Como o próprio nome indica, os cruzados eram nobres cavaleiros adeptos do cruzadismo, charadas e puzzles, que ocupavam o seu tempo em torneios de palavras-cruzadas contra os mouros, ganhando a maior parte das vezes, excepto, quando surgiam palavras começadas por AL.

Para além destes mercados, D.Afonso Henriques conquistou ainda Sintra, Almada, Palmela, Alcácer do Sal, Beja, Évora, Moura, Serpa e Juromenha, rede de postos emissores de onda média e frequência modelada, que deixou de estar sobre influência da moirama infiel. Por estas alturas surge a notícia bombástica de saldos loucos nos armazéns de Badajoz, aonde ocorrem multidões desvairadas em busca de pechinchas, especialmente, caramelos de nata com pinhões.

D.Afonso Henriques parte também à conquista dos armazéns de Badajoz e está presente quando se dá a intervenção policial com vista a dispersar a multidão desordeira que ali se juntara. O rei português é apanhado no meio da confusão, parte uma perna entalado nas portas giratórias do armazém e é levado pela polícia, para identificação na esquadra. Graças ao seu nome, e porque é sogro de Fernando II, rei de Leão, D.Afonso Henriques consegue sair sem registo no cadastro, regressando a Portugal triste e abatido, sem caramelos.

Foi notável a acção deste rei no povoamento, na valorização do poder económico e marítimo do reino e na defesa da vida cultural. Organizou uma esquadra para jogar em torneios contra equipas moiriscas, nomeando como capitão D.Fuas Roupinho, um mestre no jogo em profundidade quer com o pé esquerdo quer com o direito. Fundou os conventos de Santa Cruz em Coimbra e de Alcobaça (este a cargo de S.Bernardo, patrono dos alpinistas alcoólicos), óptimos locais de desenvolvimento da meditação e da doçaria, criando delícias como barrigas de freira e papos d'anjo.

No ano de 1185 viria a falecer o nosso primeiro monarca, curtido pelas batalhas, exausto pelas vigílias, desgastado pela persistência exigida nos negócios e muito aborrecido pela falta de hobbies para a 3ª idade, sendo enterrado juntamente com sua mulher (que também já estava morta), no mosteiro de Stª Cruz.

No trono, sucede seu filho D.Sancho I, que se preocupou mais em contribuir para o aumento da população mundial do que em conquistar terreno aos infiéis. Ainda assim, decidiu avançar para sul, com dois objectivos: fazer recuar os muçulmanos até à ponta da península ibérica, empurrando-os para o mar e afogando os que não sabiam nadar, e obter as terras do Algarve para as férias da nobreza, como importante fonte de receitas para a balança comercial do país.

Assim, toma em seu poder as estâncias balneares de Alvor, Silves, Albufeira, Portimão, Lagos e Monchique, que lhe darão o título de “rei de Portugal e dos Algarves”, encarando já essa zona como uma espécie de enclave nacional sob domínio estrangeiro, especialmente, de turistas ingleses e alemães. Mas a sombra do poder sarraceno não se havia extinguido e D.Sancho vem a perder as praças conquistadas e aquelas que seu pai lhe deixara a sul do Tejo, com excepção de Évora. Este fenómeno de povoações conquistadas mais de uma vez deve-se ao facto de os católicos não colocarem agentes seus nas câmaras de comércio locais e, por isso, a cada ataque dos retornados muçulmanos com os seus produtos de baixo custo, as cidades voltavam a cair sob a influência árabe. Já se sabe como são os consumidores.
Em resumo, face ao território desgovernado que as lutas tinham deixado, o grande mérito de D.Sancho I foi o de desenvolver uma política de fixação, criando povoações novas (ainda que sem o conhecimento oficial da sua esposa), fomentando o investimento estrangeiro e criando PDRs para ordenar o território, tarefa difícil dado o mau karma que sobrevoou o seu reinado, com tremores de terra, inundações, fome e pestes.

Em 1211 sobe ao trono D.Afonso II, preocupado em conseguir o fortalecimento do poder real, enfraquecido com os abusos dos grandes senhores. E conseguiu tamanho fortalecimento, que doze anos depois morria com celulite, hipertensão e colesterol elevado, ficando conhecido como “o gordo”, bem antes de Jô Soares.
Antes disso, convoca para Coimbra as primeiras cortes de que há memória. Porquê este nome? Precisamente porque são precisos cortes (vulgo, tesouradas) no poder dos grandes senhores feudais, que em certos domínios já mandavam mais do que o próprio rei. Ficou para a história como tendo resgatado para o trono real os poderes ilegítimos de grandes capitalistas opressores da classe operária (entre os quais, os seus próprios irmãos), fazendo valer o bem comum e os interesses da pátria acima dos interesses individuais, embora certos historiadores duvidem de idêntico empenho caso não fosse ele próprio o beneficiado com tudo isso.

A marcar o seu reinado ficou também a primeira participação portuguesa numa selecção ibérica de cruzados, cujo seleccionador era D. Afonso VIII de Castela. O jogo foi contra os mouros, em Navas de Tolosa, em 1212, e segundo as crónicas da época os nossos seleccionados distinguiram-se pela bravura em campo, tendo grande influência na vitória obtida.

20/02/11

INDEPENDÊNCIA E ALARGAMENTO (i)

Senhor do poder e manda-chuva dos barões assinalados, após a vitória em S.Mamede, D.Afonso Henriques acha-se na necessidade de cobrar a D.Afonso VII a despesa que este tinha feito aquando da sua passagem por Guimarães, até porque os cobradores estavam a tornar-se cada vez mais violentos para com os devedores faltosos e as suas finanças não davam para mais do que alguns alqueires de gomas.

Só que invadir a Galiza e enfrentar os exércitos de D.Afonso VII não era tarefa fácil, para mais com o rei de Leão a jogar em casa. Afigurava-se um caso bicudo, e vai daí, bicudo faz lembrar cornos, que faz lembrar bois, que lembra touradas, que lembra pegas de cernelha. Foi esta associação de ideias que levou D.Afonso Henriques a enfrentar e a vencer os leoneses com uma arrojada técnica de combate que consistia em agarrar o adversário pelo fio do lombo, naquela que ficou conhecida como a Batalha de Cernelha, em 1137.

Porém, o príncipe português não teve sequer tempo de organizar uma comemoração na taverna real porque a sul, os Mouros atacavam os seus domínios, irrompendo no mercado com uma força avassaladora, colocando pilhas, relógios, máquinas calculadoras, jogos e lanternas a preços verdadeiramente imbatíveis. Conquistam os mercados de Leiria e de Tomar, com as suas bancas ilegais que prejudicam o comércio tradicional e o nosso D.Afonso vê-se obrigado a pedir tréguas ao rei de Leão, no tratado de Tui, para poder ter as mãos livres para reprimir a ameaça moura na fronteira meridional.

Organizadas as tropas, emparelhados os cavalos e consoladas as viúvas, D.Afonso Henriques parte para o Alentejo, a defender as suas fronteiras ameaçadas, já que os alentejanos nada fazem para conter as invasões Sarracenas, preferindo dormir o dia inteiro à sombra dos chaparros que cobriam profusamente aquela região. O exército de vendedores infiéis era muito poderoso e contava com a orientação de cinco delegados sindicais muito hábeis na defesa dos direitos dos seus trabalhadores, o que mesmo assim não evitou a sua derrota completa, já que a forma de diálogo preferida por D.Afonso Henriques era a situada na ponta da espada.

Foi na batalha de Campo de Ourique que, segundo conta a tradição, houve um milagre no qual Cristo terá aparecido em sonhos a D.Afonso, antes da batalha, prometendo-lhe vitória cristã. Daí, as cinco chagas terem sido bordadas na bandeira portuguesa, após essa vitória. Por amor à verdade histórica, único lema que nos rege, não podemos pactuar com esta lenda até porque ela prefigura um caso de favorecimento do árbitro, antes do jogo. Na verdade, os sonhos vitoriosos de D.Afonso Henriques devem-se à ingestão de cogumelos silvestres e alucinógenos, que por lapso lhe foram parar ao prato. Quanto às cinco pintas vermelhas na bandeira, representam nada mais nada menos do que os cinco delegados sindicais mouros, de tendência comunista.
Vencida esta ameaça, D.Afonso Henriques, que já se auto-intitulava rei de Portugal, comummente aceite por falta de alternativas, pega no tratado de Tui (que havia sido escrito a lápis) e apaga-o, invadindo de novo a Galiza (esta fixação obsessiva pela Galiza é algo que, infelizmente, as modernas técnicas de psicanálise ainda não conseguiram explicar) e desafiando D.Afonso VII para um torneio de bridge em Arcos de Valdevez.

O torneio foi um sucesso de participações, em parte devido à boa organização e em parte pelo apelativo prize-money do título de independência para Portugal, que D.Afonso Henriques ganhou brilhantemente. Face a mais esta derrota e porque, na verdade, a soberania sobre tão insignificante território não valia todas as chatices e maçadas que o príncipe português lhe trazia, o rei de Leão decidiu assinar um convénio em 1143, dando independência ao condado, que se passou a chamar reino. Foi o tratado de Zamora-Machel, nome pelo qual ficaria também conhecido, já no séc. XX, o primeiro presidente de Moçambique independente.

Contudo, o processo de reconhecimento de independência de um país comportava uma tremenda carga burocrática, cujo ponto alto era a confirmação dada pelo papa. Foram necessárias toneladas de atestados, certidões, impressos, declarações, carimbos e assinaturas que apenas levaram cerca de 36 anos a conseguir reunir, graças aos bons ofícios prestados pelo arcebispo de Braga, D.João Peculiar (assim chamado devido ao enorme pecúlio amealhado com os dízimos cobrados ao povo), que intercedeu junto do papa Alexandre III, de modo a acelerar o processo.

13/02/11

O CONDADO PORTUCALENSE (parte II)


Foi durante um desses passeios nocturnos, que D.Afonso Henriques lhe pregou mais uma das suas partidas. Estando D.Afonso VII entretido com uma camponesa num palheiro (não se estranhe os bizarros entretenimentos da realeza, pois temos de enquadrar as acções no seu tempo), o jovem Afonso roubou-lhe as ceroulas, que viriam a aparecer no dia seguinte penduradas no pau da bandeira da torre principal do castelo. O rei de Leão enfureceu-se de tal modo que quase sovou a golpes de cinto o seu endiabrado primo, no que foi detido pelo tutor do jovem príncipe, Egas Moniz.
O tutor responsabilizou-se pelo futuro bom comportamento do rapaz, e D.Afonso VII, farto de tantas partidas, decidiu voltar para o seu reino, não sem antes obrigar a que D.Afonso Henriques fosse, ele próprio, entregar lá a casa as chaves do condado Portucalense.

Mas D.Afonso Henriques não cumpriu a promessa e Egas Moniz teve de partir com a família para Toledo, de modo a apresentar desculpas públicas ao rei de Leão. Egas Moniz estava tão nervoso que deu um nó górdio na gravata, que lhe cortava a respiração, e como teve de aguardar imenso tempo na sala de espera das audiências reais, já quase sufocava quando o rei o recebeu. Perante tal acto de honradez e resistência à falta de ar, Afonso VII perdoa o primo e manda Egas Moniz em paz. Este nobre cidadão viria alguns séculos mais tarde a ganhar o primeiro prémio Nobel da medicina para Portugal e a ter direito a figurar nas notas de cinco mil escudos, numa singela homenagem do povo a um dos seus mártires. Há quem diga que era outro o Egas, mas não era.

Após este episódio, Afonso Henriques livrou-se da ameaça mas não se livrou da malandrice e foi durante uma das suas viagens exploratórias que veio a encontrar D.Teresa em atitudes e posturas pouco reais, na cama com um fidalgo galego de seu nome Fernão Peres de Trava. Ladino e esperto que nem um alho, o jovem Afonso viu que estava ali a sua oportunidade para alcançar a almejada independência e ameaçou a mãe, em como contaria tudo aos jornais, se ela não satisfizesse as suas pretensões.
D.Teresa compreendeu que, maior que o escândalo de aparecer na 1ª página do Correio-Mor da Manhã, seria a notícia da sua relação bastante próxima a um fidalgo estrangeiro (ainda por cima, galego!), o suficiente para fazer explodir o coração de um povo desejoso de independência e, por isso, fez as vontades ao filho.

Aproveitando os seus 17 anos, D.Afonso Henriques exigiu um aumento na mesada, permissão para chegar a casa mais tarde, um conjunto de cavalos de marca, o direito a receber em seus aposentos quem muito bem entendesse e, de bónus, a governação do condado. D. Teresa a tudo disse que sim, no entanto, quando se apanhou livre da chantagem do filho, fingiu-se esquecida da promessa de lhe entregar o condado. O caso viria ainda a originar várias discussões entre mãe e filho, até que numa noite fria de 1128, D.Afonso Henriques rodeou-se da sua pandilha de cavaleiros amigos e foi até ao jardim público de S,Mamede, onde sua mãe e o galego Fernão Peres de Trava estavam praticando actos libidinosos.

O casal de pombinhos levou um arraial de porrada de meia-noite (mais concretamente, das onze e cinquenta, segundo iluminuras da época) e foi já com os dois olhos hematomizados, que D.Teresa passou o governo do condado para as mãos do filho, sendo depois levada como refém para o castelo de Lanhoso.

Quanto ao galego, escapou-se de fininho assim que viu “o mar mais alto do que a terra”, levando com ele todo o seu grupo. Os portugueses tinham ganho o direito ao seu próprio governo, sem influência de estrangeiros, caso raro na história futura. Agora, com o seu grupo de camaradas e um povo inteiro à sua volta, vai um jovem príncipe, cheio do fogo do amor pela sua pátria (aquele que arde sem se ver), e senhor de um génio militar e político só comparável com ele próprio, talhar golpe a golpe os alicerces da grandeza futura de Portugal.

16/01/11

O CONDADO PORTUCALENSE

A partir das Astúrias, os Cristãos partem em busca do terreno perdido numa operação com o nome de código “Reconquista Cristã”. De início, esta operação foi muito demorada e difícil, pois os Árabes eram mais do que as mães de Alá (e mais fortes no ombro a ombro). À custa de muitas lutas e porque o terreno os favorecia (pois reconquistaram de norte para sul, a descer), os Cristãos alargaram a zona que lhes pertencia, formando vários reinos pelo caminho.

Para ajudar os reis cristãos nestas tarefas, vinham um pouco de toda a Europa os cruzados, os quais eram profissionais liberais na arte de cavalgar e dar no coiro dos mouros. Trabalhavam a recibo verde para quem precisasse de conquistar terras e, por isso, se um rei ganhasse terreno aos infiéis à custa do trabalho dos cruzados, deveria pagar-lhes dando-lhes as suas partes (sem segundos sentidos, obviamente), isto é, terras para eles governarem em seu nome – os condados.
Atraídos por tais benesses, os cruzados adoptavam uma táctica de guerra com resultados quase garantidos, a chamada táctica do triângulo (em ilustração anexa), em que um cruzado jogava avançado em cunha e os restantes flanqueavam-no, para assim melhor penetrarem em terreno inimigo. Dois destes nobre profissionais liberais que muito terreno conquistaram, eram os fidalgos franceses D.Raimundo e D.Henrique de Borgonha (este, com mais sentido do dever e borgonha na cara).

Contudo, o rei de Leão, D.Afonso VI, para quem eles trabalhavam, entendeu que os dois cavaleiros não teriam cumprido os objectivos mínimos do serviço, e por isso decidiu castigá-los casando-os com as suas filhas solteironas. D.Raimundo desesperou quando soube que lhe tinha calhado em sorte uma esposa com o nome de D.Urraca.
D.Henrique ficou menos mal, calhando-lhe D.Teresa e recebendo como dote o Condado Portucalense. Impõe-se perguntar como terá surgido o nome do Condado. Existem várias teorias acerca do assunto, embora aquela que mais votos colheu na sondagem efectuada na Sociedade Secreta de Historiadores Anónimos, aponte para a existência na margem esquerda do rio Douro, de uma pequena povoação de nome Cale (onde hoje se situará Gaia), na qual existia um Portus (nome romano para o local onde desembarcavam mercadorias).
De Portus e Cale, parecem derivar os nomes de Portucalense e Portugal, embora por esta teoria, devamos dar graças ao Senhor por não terem fundado um condado em terras vizinhas daquela, como Valadares, Melres ou Labruge, o que nos colocaria hoje a viver em Valadaral, Melral ou Labrujal.
São, contudo, teorias especulativas. O que interessa é que em 1096 D.Henrique de Borgonha recebe a mão de D.Teresa, o resto do seu corpo e, por acréscimo, o Condado Portucalense. O conde viveu uma vida cheia, pois por um lado tinha como ambição tornar o seu condado independente (o que não veio a conseguir), e por outro, a sua ardente fé religiosa levava-o a passar a vida em viagens, romarias, peregrinações e congressos da fé. Ora isto obrigava D.Teresa a passar longos períodos sozinha no castelo de Guimarães e, como já dizia o povo naquela altura, “patrão fora, dia santo na loja”...

Há quem diga que foi por causa dessas actividades de tempos livres que D.Henrique morreu de desgosto, embora a maior parte dos psicanalistas defenda que foi por frustração de não conseguir a independência para o condado. Trata-se de um assunto que só o próprio poderá confirmar ou não, se a isso estiver disposto.
Por morte de D.Henrique, D.Teresa assume os comandos do condado, pois o seu filho, D.Afonso Henriques, tem apenas três anos de idade, o que é insuficiente para tirar a licença de condução de condados. Continuando as suas diatribes de viúva alegre, D.Teresa vai mesmo assim a fortalecer o condado rumo à autonomia, quer guerreando os mouros, quer entrando em habilidosos jogos diplomáticos com a corte de Leão, tais como o Trivial Pursuit, o Monopólio ou mesmo o Scrabble.

Em 1127, o rei de Leão, D.Afonso VII, sobrinho de D.Teresa, tem um sonho em que se vê a governar toda a península Ibérica. Para o conseguir, envia por pombo-correio uma mensagem a D.Teresa exigindo que esta lhe entregue as chaves do condado. Infelizmente (para o pombo, claro), este não chega ao seu destino pois o jovem D.Afonso Henriques apanha-o numa tarde de tiro ao alvo, quando o animal passa em frente ao ponto de mira. Sem o saber, Afonso Henriques dá um pequeno passo para si, ao comer o pombo ao jantar, mas um grande passo para a alteração do curso da história deste país.

Irritado por não obter resposta às suas exigências, D.Afonso VII vem de armas e bagagens instalar-se no castelo de Guimarães, ameaçando que dali não sairá sem levar a submissão dos portucalenses. D.Teresa indignada com tamanha falta de delicadeza, recusa-se a dar-lhe as chaves (do condado e do cinto de castidade). E assim se foram passando os dias, com Afonso VII e sus muchachos instalados em casa alheia, comendo que nem uns alarves, levando à bancarrota a despensa do castelo.
De dia, o rei de Leão comia e aguentava as diabruras do jovem Afonso Henriques. De noite, Afonso VII vagueava pela escuridão em busca da figura que, segundo reza a lenda, tinha mandado construir o castelo no ano de 929 : a figura mítica de Mumadona Dias (esclareça-se que “Mumadona” é o equivalente em português arcaico ao actual “mamalhuda”, daí o interesse do rei em encontrá-la).

02/01/11

PRIMEIROS POVOS - O RESUMO

Aqui fica então um pequeno resumo dos primeiros povos habitantes do espaço lusitano:

- IBEROS : foram os primeiros a chegar à Península, e como não havia provas de anteriores proprietários, deram o seu nome à terra. Eram muito atrasados em civilização, tiravam burriés do nariz com a ponta da unhaca e cheiravam mal dos pés, cobriam-se de peles de animais, nomeadamente deles próprios e dormiam em cavernas de poucas estrelas.

- CELTAS : pensa-se que eram originários da Gália, embora outros historiadores afirmem que eles vinham de Glasgow, na Escócia, sendo adeptos do Celtic. Viviam também em estado de comunhão com a Natureza, sendo os precursores do campismo selvagem, montando cabanas circulares de pedra, grosseiras, cobertas de palha, onde quer que lhes apetecesse. Juntaram-se aos Iberos (especialmente às Iberas) nas noites frias de Inverno, e da brincadeira resultaram os Celtiberos.

- LUSITANOS : uma das tribos descendentes dos Celtiberos e que, por isso, herdaram virtudes e defeitos dos dois povos. Eram aguerridos e valentes, embora algo estúpidos, pois podiam ter começado a conquistar mais cedo, poupando imenso trabalho aos futuros reis de Portugal. Viviam da caça, da pesca e da recolha de frutos silvestres, o que lhes proporcionava uma dieta equilibrada.

- FENÍCIOS : povo marítimo, que acrescentou à nossa identidade o hábito de meter água. Fixaram-se no litoral e dedicaram-se ao comércio, vendendo perfumes, madeiras e papiros em troca de estanho, prata e ouro, numa forma de comércio altamente vantajosa perante otários, conforme se pôde confirmar mais tarde no comércio português com África. Introduziram técnicas de mercado, como o fabrico em série e a venda a crédito, embora sem a proliferação de cartões automáticos que se assiste hoje em dia.

- GREGOS : foram poucas as suas influências na nossa identidade, dado que se viram gregos para cá chegar derivado à distância, o que até nem foi mau de todo, pois safámo-nos de aturar uma quantidade industrial de filósofos. Seguiram as pisadas dos Fenícios, montando pequenas colónias junto ao mar, o que deu origem ao aparecimento da chamada “água de colónia”.

- CARTAGINESES : tem-se considerado que vieram do norte de África para controlar todo o comércio da península. No entanto, escavações ultra-secretas feitas no sub-solo da zona sobre a qual assenta Lisboa, revela que os cartagineses eram chineses carteiristas que actuavam preferencialmente nos túneis do metro em hora de ponta, tornando-se muito ricos e com isso fomentando a cobiça e inveja do império romano.

- ROMANOS : muito civilizados, ambiciosos e adeptos do monopólio, não descansaram enquanto não dominaram toda a península Ibérica. Impuseram a sua moeda,a sua língua e, duas vezes por ano, lançavam colecções de vestuário e calçado, em desfiles muito apreciados e que deram à moeda romana um grande prestígio, nem sequer manchado pelo facto de assassinarem à traição Viriato e Sertório, chefes das associações comerciais lusitanas.

- BÁRBAROS : foram vários os povos que, sob este nome, vieram fazer a vida negra aos romanos, derramando sangue a rodos, o que sujava as carpetes com nódoas muito difíceis de tirar. Entre eles estão os Vândalos (hooligans do pior que havia, criadores do hooliganismo enquanto corrente estética); os Suevos (suecos novos, altos, loiros e toscos para o jogo da bola); os Alanos (cujo nome é a junção de “Ala” e “nós”, ou seja, ala que se faz tarde, aí vamos nós – atacavam sempre em grupo); os Lombardos (filhos da Lombardia e criadores da couve com o mesmo nome); os Visigodos (do arcaico “vis” mais “gordos”, isto é, maus e gordos; sendo brutamontes maléficos, eram de tendência ariana, logo neo-nazis, e após as conquistas comandadas por Teodorico, nos deixaram nomes próprios como Adalberto, Brunilde ou Cremilde, que fazem a felicidade dos padrinhos na hora do baptismo); os Ostrogodos (igualmente gordos mas cujo nome deriva de “ostra”, devido a serem tão fechados sobre si mesmos, não permitindo que se conheça muito sobre eles).

- MUÇULMANOS : tal como os chineses viriam a adorar Mao-Tse Tung e os portugueses o Mau-Maria, os mouros veneravam Mao-mé. Deixaram-nos ficar a al-face, o al-moço, a al-mofada, a figueira, a laranjeira, a bússola e algumas outras coisas, que ficaram pelo caminho durante a fuga aos cristãos. Diz o Corão “Combatei pela causa de Deus (...) Crentes! Não os matastes, Deus os matou. Não atiras quando atiras, Deus é quem atira”. No entanto, quando os cristão começaram na reconquista, verificaram que Deus não podia atirar em tantos, e decidiram retirar.
 
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