Perante tal quadro sócio-económico e para fazer face ao ambiente monótono que se vivia, as classes dirigentes (as únicas com direito a lançarem empreendimentos) decidem fazer algo para quebrar a morrinha e procurar novos sítios para passarem as férias, que lhes permitissem arejar as mentalidades e partes pudibundas fora deste burgo.
Tal objectivo não se afigurava fácil, pois havia a ideia de que se devia possuir tudo o que se encontrasse, o que, como é lógico, tornava incomportáveis determinados destinos turísticos. Procurando algo de exótico e com boas acessibilidades, nasce a ideia de uma viagem a Ceuta, cidade do norte de África, rica e de bom clima, bem fornecida pelo comércio muçulmano e, indispensável, perto de casa. Foi o primeiro passo dado pelos portugueses no mundo do turismo. Uma esquadra de 200 navios levava a bordo a fina-flor da sociedade portuguesa (que, na altura, ainda dava para encher 200 navios), partindo do Tejo a 26 de julho de 1415 com rumo a Ceuta.
Alguns fidalgos mais polidos (leia-se corteses, e não lustrosos) eram contrários à invasão de Ceuta por tantos turistas sem aviso prévio nem marcações, até porque não gostavam de quem lá estava a morar, e como tal, não se deveria ir bater à porta de quem não se simpatiza. Contudo, foi uma tese que não vingou e a armada de D.João assentou o nalgueiro nas areias de Ceuta. A desbunda foi colossal, a algazarra maior ainda e os portugueses, pouco habituados a fazer turismo, tornaram-se excêntricos e espalhafatosos, assustando os comerciantes locais que a pouco e pouco vão fechando os seus pontos de venda. Os árabes desviam as suas rotas de abastecimento de bens de primeira necessidade (como o ouro e as especiarias), deixando o local sem fornecedores e os portugueses a chuchar no polegar. Alguns muçulmanos formam mesmo uma comissão de moradores que tenta expulsar os portugueses de Ceuta, para que a cidade volte a adquirir sossego.
A burguesia concorda com os muçulmanos e, guiada pelo seu espírito aventureiro, está disposta a partir em busca de novos destinos balneares, enquanto a nobreza discorda e está disposta a correr com os árabes dali para fora, tomando todo o norte de África como região demarcada de turismo. Esta discussão prolonga-se por algum tempo até que um dos filhos de D. João, D.Henrique, decide voltar a casa e fundar uma agência de viagens com destinos radicais, pois analisando o mercado potencial dos clientes burgueses, a coisa parece rentável. É assim que nasce a “Agência Náutica Sagres”, cuja actividade era anunciada como se pode ver no documento seguinte, um panfleto distribuído em 1416:
“Sedes jovem, burguês e gostais de aventura?
Vinde navegar connosco aos destinos mais radicais que possais imaginar! Onde acaba o mundo e ferve o mar, cheio de abismos e mistérios, outrossim povoado de monstros e forças ocultas, onde barcos sem governo são desfeitos e tragados num momento, perante embarcadiços gelados de pavor e mui húmidos em suas calças.
Inscrevei-vos na Agência Náutica de Sagres e o Mar Tenebroso será vosso. Próxima partida: 1418, com destino desconhecido. Seguro não incluído."
Com efeito, em 1418 partiu uma excursão sob a a orientação dos guias João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, que levou os participantes até uma ilha deserta, onde fundaram um porto a que deram o nome de Santo (para se distinguir do outro). No ano seguinte, nova excursão com os mesmos guias e a ajuda de Bartolomeu Perestrelo, tenta voltar a Porto Santo mas o nevoeiro baralha-lhes as contas e aportam a outra ilha deserta. Tomam então duas decisões: primeiro, baptizar a ilha de Madeira, devido ao enorme tronco onde Gonçalves Zarco bateu com os dedos do pé direito ao desembarcar; segundo, passar a fazer mapas das viagens efectuadas, para não voltarem a perder destinos por onde já tinham passado. A excursão de 1431 vai mais longe, inclui meia-pensão e chega à primeira ilha dos Açores, chamada de Santa Maria.
Depois da chegada aos arquipélagos, os excursionistas decidem levar com eles alguns animais (não estamos aqui a escrever com segundos sentidos) e o povoamento das ilhas foi-se efectuando, cronologicamente, pelas cepas portuguesas, pelos rebanhos de carneiros, pelos portugueses, pelos alemães e pelos turistas em geral. Estas viagens ao Mar Tenebroso e a paragens desconhecidas utilizavam na sua propaganda argumentos que, caso existisse legislação aplicável, poderiam ser considerados de publicidade enganosa. Era o caso dos anunciados monstros marinhos, homens de um só olho, sem cabeça ou de uma só perna, que nunca chegaram a aparecer, para grande desgosto dos viajantes amantes de adrenalina.
28/01/12
15/01/12
O PÓS CRISE DE 1383-1385
Para comemorar a grande vitória de Alves Barrota, e porque não havia ainda uma rotunda em Lisboa que pudesse ser invadida por multidões em êxtase e buzinas ululantes, D.João I manda encerrar o campo de jogos do clube de futebol local e erguer no seu lugar um mosteiro a que chamou “da Batalha”. Com vista a atrair mais visitantes no futuro, optou-se pela linha arquitectónica que fazia furor na altura, o gótico, assim chamado por parecer ser feito gota a gota, dada a sua morosidade.
Este estilo caracterizava-se por paredes finas (que poupavam nos materiais) e janelas largas, decoradas com vitrais, justamente considerados os antepassados dos grafittis. Existe grande utilização dos arcos, mesmo que quebrados anteriormente, e de abóbadas em ogiva (nuclear, não, obrigado!), que conferiam grande poder aos edifícios.
Em consequência, as naves elevaram-se em altura (partindo para outros planetas), os arcobotantes são colocados no exterior (devido às pulgas), as igrejas tornam-se mais iluminadas pelo sol (a sempre recomendável utilização das energias renováveis) e os edifícios terminam em pináculos, que, ao contrário do que muita gente considera, não são pinhões dados em espectáculos.
Todas estas características da arte gótica faziam-na, nas imortais palavras de António Gedeão, aproximar-se bastante do que ele designava por sonho (é tela, é cor, é pincel / base, fuste, capitel / arco em ogiva, vitral /pináculo de catedral), como pode ser observado em sites tipo You Tube, procurando por "pedra filosofal".
Livre dos perigos de Castela, D.João I decide orientar a sua vidinha e dispõe-se a casar. Assim que o anúncio é feito no correio sentimental da “Gazeta Real”, o rei de Inglaterra coloca um problema a Portugal: os portugueses tinham utilizado no jogo com os castelhanos um árbitro de nome Johnny Rules, nitidamente anglo-saxónico e, como tal, sujeito a pagar direitos de imagem e bom nome aos árbitros britânicos.
D.João I viu-se assim entre o montante e as ameias do castelo, ou, numa linguagem mais contemporânea, entre a espada e a parede. Não poderia argumentar que o juíz era o português João das Regras, pois isso seria um escândalo internacional. Também não poderia por em causa o rei de Inglaterra, pois devido ao tratado de aliança que D.Fernando assinara, qualquer desejo que viesse de além-Mancha era uma ordem. Ou, o que se poderia chamar hoje em dia, um desejo de Merckel.
O rei de Inglaterra desejou que D.João se casasse com uma sua neta, Dª Filipa de Lencastre. E D.João casou, um facto de grande importância na nossa história, por duas razões: primeiro, porque reforçou os laços de entendimento com Inglaterra (quanto mais não fosse porque o rei português teve de aprender inglês para comunicar com a mulher); segundo, porque tornou rainha de Portugal uma mulher excelsa, cheia de virtudes e muito popular entre o povo. Esta popularidade advinha sobretudo do facto de Dª Filipa (e suas ancas parideiras) participarem no programa “Super Bebés”, um programa patrocinado pelo próprio D.João, que deu frutos na mais extraordinária geração de príncipes que alguma vez tivemos. Nomes como D.Duarte, D.Henrique, D.Pedro, D.Fernando e Dª Isabel deram ao programa “Super Bebés” o mérito de só por si encherem uma época e honrarem um país.
Este casamento foi bastante badalado, principalmente pelos sinos da Sé do Porto, e dele nos fala o historiador local, Olibeira Martins :
“Toda a noite fora de festa (...) o bom povo do Porto, na sua cidade triste, quebrava a monotonia dura da vida nesses instantes de folgança. (...) preparou-se o cortejo. O pequeno espaço que vai desde o Paço até à Sé estava coalhado de povo em gala agitando bandeiras e atirando confetis. À porta da Sé, numa nuvem de incenso e num corte de fotógrafos, o bispo (...) esperava os noivos. (...) Da Sé voltaram ao Paço a comer (...) desafivelaram-se os cintos, vazaram-se os cálices de espumoso, as travessas de arroz à valenciana e os pratos de doce de ovos, ao som de jograis cantando “apita o comboio”...
Este estilo caracterizava-se por paredes finas (que poupavam nos materiais) e janelas largas, decoradas com vitrais, justamente considerados os antepassados dos grafittis. Existe grande utilização dos arcos, mesmo que quebrados anteriormente, e de abóbadas em ogiva (nuclear, não, obrigado!), que conferiam grande poder aos edifícios.
Em consequência, as naves elevaram-se em altura (partindo para outros planetas), os arcobotantes são colocados no exterior (devido às pulgas), as igrejas tornam-se mais iluminadas pelo sol (a sempre recomendável utilização das energias renováveis) e os edifícios terminam em pináculos, que, ao contrário do que muita gente considera, não são pinhões dados em espectáculos.
Todas estas características da arte gótica faziam-na, nas imortais palavras de António Gedeão, aproximar-se bastante do que ele designava por sonho (é tela, é cor, é pincel / base, fuste, capitel / arco em ogiva, vitral /pináculo de catedral), como pode ser observado em sites tipo You Tube, procurando por "pedra filosofal".
Livre dos perigos de Castela, D.João I decide orientar a sua vidinha e dispõe-se a casar. Assim que o anúncio é feito no correio sentimental da “Gazeta Real”, o rei de Inglaterra coloca um problema a Portugal: os portugueses tinham utilizado no jogo com os castelhanos um árbitro de nome Johnny Rules, nitidamente anglo-saxónico e, como tal, sujeito a pagar direitos de imagem e bom nome aos árbitros britânicos.
D.João I viu-se assim entre o montante e as ameias do castelo, ou, numa linguagem mais contemporânea, entre a espada e a parede. Não poderia argumentar que o juíz era o português João das Regras, pois isso seria um escândalo internacional. Também não poderia por em causa o rei de Inglaterra, pois devido ao tratado de aliança que D.Fernando assinara, qualquer desejo que viesse de além-Mancha era uma ordem. Ou, o que se poderia chamar hoje em dia, um desejo de Merckel.
O rei de Inglaterra desejou que D.João se casasse com uma sua neta, Dª Filipa de Lencastre. E D.João casou, um facto de grande importância na nossa história, por duas razões: primeiro, porque reforçou os laços de entendimento com Inglaterra (quanto mais não fosse porque o rei português teve de aprender inglês para comunicar com a mulher); segundo, porque tornou rainha de Portugal uma mulher excelsa, cheia de virtudes e muito popular entre o povo. Esta popularidade advinha sobretudo do facto de Dª Filipa (e suas ancas parideiras) participarem no programa “Super Bebés”, um programa patrocinado pelo próprio D.João, que deu frutos na mais extraordinária geração de príncipes que alguma vez tivemos. Nomes como D.Duarte, D.Henrique, D.Pedro, D.Fernando e Dª Isabel deram ao programa “Super Bebés” o mérito de só por si encherem uma época e honrarem um país.
Este casamento foi bastante badalado, principalmente pelos sinos da Sé do Porto, e dele nos fala o historiador local, Olibeira Martins :
“Toda a noite fora de festa (...) o bom povo do Porto, na sua cidade triste, quebrava a monotonia dura da vida nesses instantes de folgança. (...) preparou-se o cortejo. O pequeno espaço que vai desde o Paço até à Sé estava coalhado de povo em gala agitando bandeiras e atirando confetis. À porta da Sé, numa nuvem de incenso e num corte de fotógrafos, o bispo (...) esperava os noivos. (...) Da Sé voltaram ao Paço a comer (...) desafivelaram-se os cintos, vazaram-se os cálices de espumoso, as travessas de arroz à valenciana e os pratos de doce de ovos, ao som de jograis cantando “apita o comboio”...
14/01/12
A CRISE DE 1383-1385 (III) – o grande match
Quanto ao jogo propriamente dito, eis a sua crónica como no-la conta o grande repórter desportivo Fernão Lápis, jornalista da Gazeta Lusitana:
“Os castelhanos resolveram assumir as despesas da partida quando o dia já estava adiantado, fazendo avançar as suas cargas de cavalaria em bloco, com grande entreajuda entre os seus sectores.D.Nuno Alferes Pereira apercebe-se disso e efectua uma arrojada manobra táctica, colocando peões e cavaleiros a actuar pelas faixas laterais, com um trinco a meio campo, resguardado por um grupo de defesas coreáceos. À frente, arqueiros e besteiros faziam o papel de pontas de lança, descaídos para os flancos em constantes movimentações, procurando as desmarcações da frente atacante de soldados lanceiros. Foi a chamada “táctica do quadrado”, um hino à cultura de jogo e que desde início deu resultados, pois os cavaleiros castelhanos caíam sistematicamente em fora de jogo (devido a grandes buracos no meio campo) onde, sem marcações especiais, eles julgavam conseguir vantagem.
O quadrado português consegue suportar, embora com algumas falhas, o assédio castelhano ao nosso reduto e uma vez conquistada a bola no miolo do terreno, lançam-se vertiginosos contra-ataques através dos arqueiros do centro do quadrado. É um período de constante movimento, em parada e resposta de grande beleza e expressividade plástica, em que se denota um ligeiro ascendente da força da técnica sobre a técnica da força.
Por esta altura, os ataques de salmonela começam a fazer-se sentir e muitos castelhanos vão caindo ao chão, com cãibras e vómitos, dificultando a progressão no terreno aos seus colegas, que começam a ter de lutar também com falta de espaços para explanar o seu fio de jogo. O terreno fica atravancado e os castelhanos partem os seus pontas de lança ao meio, para melhor aproveitarem o espaço disponível. É, porém, um esforço inútil.
Nuno Alferes Pereira, um verdadeiro “detestável” em campo, é a alma deste jogo e a sua grande figura. Faz lançamentos em profundidade, ora à direita ora à esquerda, com uma força quase sobrenatural, que deixa os castelhanos pasmados, e a selecção nacional vai-se empolgando com o seu próprio carácter e humildade, trabalhando cada vez mais para a vitória. Apesar de estarem em jejum (não houvera verba para estágio), nunca os portugueses se sentiram mais fortes que naquele momento, em que a independência do nosso futebol, duas vezes e meia secular, está dependente da sua firmeza, da sua obstinação, da sua heroicidade.”
Batido pela nossa valentia e superioridade táctica, o rei de Castela abandona o campo mesmo antes de Johnny Rules dar por findo o encontro, o que motivou a nossa vitória incontestada. Depois deste jogo, apenas resistem alguns indefectíveis do rei de Castela que teimavam em desafiar os portugueses para alguns joguitos de tudo ou nada, embora de menor dimensão. O que teve mais história foi o de Valverde, perto de Badajoz, mas mais uma vez D.Nuno Alferes Pereira deu mostras do seu génio táctico, invadindo a localidade de Valverde com milhares de jogadores e dezenas de milhar de apoiantes do povo, que esgotaram todos os stocks dos comerciantes de Badajoz, que não contavam com tal afluxo de visitantes fora da época das rebajas.
Reconhecendo que não podiam alojar condignamente tantos visitantes e com o seu sistema hoteleiro em colapso, os castelhanos foram obrigados a dar a vitória aos portugueses, mesmo sem haver jogo. E, em 1411, é assinado o tratado em que o rei de Castela renuncia definitivamente à sua pretensão da presidência da federação portuguesa de futebol. O trono português está salvo!
“Os castelhanos resolveram assumir as despesas da partida quando o dia já estava adiantado, fazendo avançar as suas cargas de cavalaria em bloco, com grande entreajuda entre os seus sectores.D.Nuno Alferes Pereira apercebe-se disso e efectua uma arrojada manobra táctica, colocando peões e cavaleiros a actuar pelas faixas laterais, com um trinco a meio campo, resguardado por um grupo de defesas coreáceos. À frente, arqueiros e besteiros faziam o papel de pontas de lança, descaídos para os flancos em constantes movimentações, procurando as desmarcações da frente atacante de soldados lanceiros. Foi a chamada “táctica do quadrado”, um hino à cultura de jogo e que desde início deu resultados, pois os cavaleiros castelhanos caíam sistematicamente em fora de jogo (devido a grandes buracos no meio campo) onde, sem marcações especiais, eles julgavam conseguir vantagem.
O quadrado português consegue suportar, embora com algumas falhas, o assédio castelhano ao nosso reduto e uma vez conquistada a bola no miolo do terreno, lançam-se vertiginosos contra-ataques através dos arqueiros do centro do quadrado. É um período de constante movimento, em parada e resposta de grande beleza e expressividade plástica, em que se denota um ligeiro ascendente da força da técnica sobre a técnica da força.
Por esta altura, os ataques de salmonela começam a fazer-se sentir e muitos castelhanos vão caindo ao chão, com cãibras e vómitos, dificultando a progressão no terreno aos seus colegas, que começam a ter de lutar também com falta de espaços para explanar o seu fio de jogo. O terreno fica atravancado e os castelhanos partem os seus pontas de lança ao meio, para melhor aproveitarem o espaço disponível. É, porém, um esforço inútil.
Nuno Alferes Pereira, um verdadeiro “detestável” em campo, é a alma deste jogo e a sua grande figura. Faz lançamentos em profundidade, ora à direita ora à esquerda, com uma força quase sobrenatural, que deixa os castelhanos pasmados, e a selecção nacional vai-se empolgando com o seu próprio carácter e humildade, trabalhando cada vez mais para a vitória. Apesar de estarem em jejum (não houvera verba para estágio), nunca os portugueses se sentiram mais fortes que naquele momento, em que a independência do nosso futebol, duas vezes e meia secular, está dependente da sua firmeza, da sua obstinação, da sua heroicidade.”
Batido pela nossa valentia e superioridade táctica, o rei de Castela abandona o campo mesmo antes de Johnny Rules dar por findo o encontro, o que motivou a nossa vitória incontestada. Depois deste jogo, apenas resistem alguns indefectíveis do rei de Castela que teimavam em desafiar os portugueses para alguns joguitos de tudo ou nada, embora de menor dimensão. O que teve mais história foi o de Valverde, perto de Badajoz, mas mais uma vez D.Nuno Alferes Pereira deu mostras do seu génio táctico, invadindo a localidade de Valverde com milhares de jogadores e dezenas de milhar de apoiantes do povo, que esgotaram todos os stocks dos comerciantes de Badajoz, que não contavam com tal afluxo de visitantes fora da época das rebajas.
Reconhecendo que não podiam alojar condignamente tantos visitantes e com o seu sistema hoteleiro em colapso, os castelhanos foram obrigados a dar a vitória aos portugueses, mesmo sem haver jogo. E, em 1411, é assinado o tratado em que o rei de Castela renuncia definitivamente à sua pretensão da presidência da federação portuguesa de futebol. O trono português está salvo!
05/01/12
A CRISE DE 1383-1385 (II) – o estágio
O rei de Castela avança pelo Alentejo adentro e a primeira oposição que encontra é a de D.Nuno Alferes Pereira, presidente da Associação Alentejana de Futebol que, como seria de esperar de um verdadeiro desportista, lhe propõe que a questão seja resolvida no campo e não na secretaria. D.João acede e o jogo é marcado para 6 de Abril de 1384. Na véspera, cai uma terrível bátega de água que deixa o terreno verdadeiramente intratável. Ainda assim, o jogo é realizado e a turma alentejana mostra grande valentia, inteireza de vontade e misticismo de fé, os quais lhe trazem a vitória. Devido ao estado do terreno, os castelhanos chamam-lhe a “Batalha dos Atoleiros”, pois passavam o tempo a atolar-se na lama. Por isso exigem desforra, sob pena de fazerem queixa às instâncias europeias, pelo que avançam sobre Lisboa, com o fito de actuar no estádio do Jamor. D.João Mestre de Avis sabe que terá de usar todas as manhas para levar de vencida os castelhanos que, em condições normais, terão um poderio maior. Decide então fechar os portões da cidade de Lisboa, obrigando os adversários a esperar na rua, dizendo-lhes que se estão a ultimar os preparativos.
Após meses de espera, é posto a correr entre o arraial castelhano que a peste está a atacar os seus jogadores. Com medo que os medicamentos de combate à maleita venham a ser detectados em controlo anti dopagem, D.João de Castela desmarca o jogo e é obrigado a retirar. O Mestre de Avis tinha, uma vez mais, salvo a população portuguesa.
Pouco depois, em 1385, reúne-se em Coimbra a assembleia geral da federação para votar o seu novo presidente. Antes de haver acordo, houve larga discussão, no entanto o presidente do conselho de arbitragem, D.João das Regras (outro João!), usou o seu voto de desempate e com argumentos bem manobrados, tem papel fundamental para a nomeação do Mestre de Avis como presidente vitalício da federação e, consequentemente, rei. Mal é eleito, o ex-Mestre nomeia D.Nuno Alferes Pereira como capitão de equipa e treinador da selecção nacional, como prova do seu apreço pela vitória na “Batalha dos Atoleiros”. Devido ao seu querer, abnegação e raça demonstrada em campo, D.Nuno era conhecido pelos adversários como o “detestável”, sendo que a partir daqui todos os seus autógrafos eram escritos como “D.Nuno Alferes Pereira-o detestável”.
Porém, o rei de Castela não desistindo dos seus objectivos, lança um desafio de tudo ou nada, num jogo pouco amigável para o qual recruta uma poderosa selecção de 32 mil jogadores. D.João e D.Nuno não podem recusar o convite, sob pena de sofrerem sanções da FIFA e tratam de reunir os nossos melhores jogadores. Graças aos contributos dos atletas de Coimbra, que passavam mais tempo a namorar no Choupal do que a treinarem (sendo por isso conhecidos como a Ala dos Namorados), conseguiu reunir-se uma selecção de pouco mais de sete mil homens, o que ficava a léguas de distância do plantel adversário. Precisando de algo mais, D.João I convenceu D.João das Regras a ir arbitrar a contenda, disfarçado de juíz inglês, Johnny Rules, para que os adversários não suspeitassem.
O grande jogo foi marcado para 14 de Agosto de 1385, no pino do Verão, para o campo do Alves Barrota Futebol Clube e existem teses que defendem que foi por aí que a vitória começou a pender para as nossas cores. Estava um dia de tremendo calor e os castelhanos resolveram fazer um pequeno estágio de aclimatação nas redondezas do local do jogo, escolhendo a estalagem “Álvares Barrote”. Toda a equipa tomou a última refeição antes do jogo na “Loja da Brites - churrasqueira, padaria, croissanteria, gelataria, pizaria e snack-bar” que funcionava perto da estalagem e que, nesse dia, ganhou a lotaria ao servir 32.000 refeições.
Pensa-se que os croissants com doce de ovos não estavam em bom estado, pois todos os castelhanos que os comeram (praticamente 100% da equipa) tiveram um ataque de salmonela muito violento, que os debilitou bastante durante o jogo. A padeira de Alves Barrota foi por isso acusada em tribunal, mas o processo nunca se desenvolveu e nada ficou provado, pelo que, atribuir a este facto a nossa vitória no jogo poderá considerar-se excessivo.
Após meses de espera, é posto a correr entre o arraial castelhano que a peste está a atacar os seus jogadores. Com medo que os medicamentos de combate à maleita venham a ser detectados em controlo anti dopagem, D.João de Castela desmarca o jogo e é obrigado a retirar. O Mestre de Avis tinha, uma vez mais, salvo a população portuguesa.
Pouco depois, em 1385, reúne-se em Coimbra a assembleia geral da federação para votar o seu novo presidente. Antes de haver acordo, houve larga discussão, no entanto o presidente do conselho de arbitragem, D.João das Regras (outro João!), usou o seu voto de desempate e com argumentos bem manobrados, tem papel fundamental para a nomeação do Mestre de Avis como presidente vitalício da federação e, consequentemente, rei. Mal é eleito, o ex-Mestre nomeia D.Nuno Alferes Pereira como capitão de equipa e treinador da selecção nacional, como prova do seu apreço pela vitória na “Batalha dos Atoleiros”. Devido ao seu querer, abnegação e raça demonstrada em campo, D.Nuno era conhecido pelos adversários como o “detestável”, sendo que a partir daqui todos os seus autógrafos eram escritos como “D.Nuno Alferes Pereira-o detestável”.
Porém, o rei de Castela não desistindo dos seus objectivos, lança um desafio de tudo ou nada, num jogo pouco amigável para o qual recruta uma poderosa selecção de 32 mil jogadores. D.João e D.Nuno não podem recusar o convite, sob pena de sofrerem sanções da FIFA e tratam de reunir os nossos melhores jogadores. Graças aos contributos dos atletas de Coimbra, que passavam mais tempo a namorar no Choupal do que a treinarem (sendo por isso conhecidos como a Ala dos Namorados), conseguiu reunir-se uma selecção de pouco mais de sete mil homens, o que ficava a léguas de distância do plantel adversário. Precisando de algo mais, D.João I convenceu D.João das Regras a ir arbitrar a contenda, disfarçado de juíz inglês, Johnny Rules, para que os adversários não suspeitassem.
O grande jogo foi marcado para 14 de Agosto de 1385, no pino do Verão, para o campo do Alves Barrota Futebol Clube e existem teses que defendem que foi por aí que a vitória começou a pender para as nossas cores. Estava um dia de tremendo calor e os castelhanos resolveram fazer um pequeno estágio de aclimatação nas redondezas do local do jogo, escolhendo a estalagem “Álvares Barrote”. Toda a equipa tomou a última refeição antes do jogo na “Loja da Brites - churrasqueira, padaria, croissanteria, gelataria, pizaria e snack-bar” que funcionava perto da estalagem e que, nesse dia, ganhou a lotaria ao servir 32.000 refeições.
Pensa-se que os croissants com doce de ovos não estavam em bom estado, pois todos os castelhanos que os comeram (praticamente 100% da equipa) tiveram um ataque de salmonela muito violento, que os debilitou bastante durante o jogo. A padeira de Alves Barrota foi por isso acusada em tribunal, mas o processo nunca se desenvolveu e nada ficou provado, pelo que, atribuir a este facto a nossa vitória no jogo poderá considerar-se excessivo.
23/12/11
A CRISE DE 1383-1385
Segundo o costume, a um rei sucedia o seu filho varão (mais velho), algo que não era possível nesta altura porque D.Fernando não cuidara de resolver essa questão em devido tempo.
Agora que morrera, a sucessão ao trono era um pedacito complicada, pelo excesso de candidatos, nem todos recomendáveis, como se pode ver no confuso diagrama abaixo incluído. Para resolver este problema, algumas mentes mais ébrias chegaram a avançar com a hipótese de um referendo popular entre os candidatos, o que devido à falta de democraticidade reinante e ao analfabetismo, depressa foi abandonada.
A principal problemática da regência era a de que o cargo de rei dava também acesso à presidência da liga portuguesa de futebol e, como tal, a cadeira mais importante do país não poderia ser entregue a qualquer um. Com a morte de D.Fernando, a regência passa para a sua mulher Dª.Leonor Teles, que trata de a passar a sua filha Dª Beatriz, para poder estar mais tempo com o fidalgo castelhano João Fernandes Andeiro. O povo e as suas línguas viperinas de inveja começaram a zurzir contra Dª Leonor, a “desavergonhada que deixava o reino nas mãos da filha, a qual não percebia nada de futebol, para se entreter na alcova com o conde Andeiro”. O facto de não ter comparecido às cerimónias fúnebres de seu marido, gerou uma onda de indignação e revolta que a tornou ainda mais impopular, embora Dª Leonor tenha apresentado atestado médico comprovando a ausência com um súbito ataque de disenteria.
Para compensar a inépcia de Dª Beatriz, juntava-se o poder do conde Andeiro que, do leito do amor, manobrava todos os cordelinhos (dos espartilhos e dos outros), atribuindo subsídios apenas aos amigos castelhanos e usando e abusando de dinheiros públicos para adquirir carruagens particulares com cocheiro, que usava nas suas funções de secretário geral da federação. Como se percebe, algo completamente impossível hoje em dia.
A alma lusitana pressentia o perigo de Castela pesando sobre a terra portuguesa e a firme vontade de varrer, de uma vez para sempre, a intromissão do elemento estrangeiro na nossa vida veio ao de cima, enquanto Leonor Teles se mostrava executora de uma política desastrada. Havia que arranjar um rei português, o mais rapidamente possível. Pensava-se geralmente no infante D.João, filho de D.Pedro e Dª Inês de Castro, mas ele estava em Castela, incomunicável, acompanhando o seu irmão numa cura de desintoxicação numa clínica privada muito conhecida.
Por isso, se voltaram para outro filho bastardo de D.Pedro (felizmente, que os havia em fartura), também de nome João, que por essas alturas ganhava a vida com um bem sucedido negócio de aluguer de viaturas, a “Avis rent-a-coche”, fazendo alugueres comerciais e de fim de semana, com ou sem cocheiro, para todo o país e estrangeiro e com condições especiais para empresas. E tanto sucesso tinha que no local da sua loja era conhecido por D.João Mestre de Avis, alcunha que viria a pegar pela vida fora. É a D.João que os cabecilhas recorrem com o plano para assassinar o conde Andeiro, o qual consistia em entrar no palácio pela calada da noite e dar uma facada no conde enquanto ele estivesse no duche. Houve quem lhe chamasse Operação “Psico”, mas esse nome foi abandonado por ser considerado demasiado Hitchcockiano.
Mas nem tudo correu conforme o planeado. D.João não conhecia a planta do palácio e enganou-se no caminho, indo parar às adegas da cave, onde ficou trancado durante duas ou três horas. Cá fora, face à demora do Mestre de Avis, começou a correr o boato que o conde Andeiro tinha apanhado o Mestre e o tinha morto. Perante isto, a reacção do povo foi uma desgraça pois D.João era muito respeitado, além de ter a única loja de aluguer de coches nas redondezas.
Na verdade o conde Andeiro acabou mesmo por morrer ao escorregar no poliban durante o duche, batendo com a cabeça nas torneiras. Por isso, após beber alguns tonéis e conseguir rebentar com a porta da adega, D.João apareceu cambaleante a uma janela do palácio, rejubilando o povo e nomeando-o logo ali como regedor-mor da federação portuguesa de futebol. Dª Leonor em face da evolução dos acontecimentos e com receio que lhe cortassem a parte superior da garganta, fugiu para Santarém, donde enviou um pombo-correio a pedir auxílio ao seu genro, D.João, rei de Castela. Este, tinha há muito tempo em vista os domínios da sogra e o seu apelo foi tudo quanto bastou para avançar. Interessava-lhe a presidência da federação portuguesa de futebol, pois um dos seus objectivos era fundir o campeonato castelhano com o nosso, formando um torneio ibérico mais competitivo e atractivo, para ser vendido às televisões por muitos milhões de maravedis.
Agora que morrera, a sucessão ao trono era um pedacito complicada, pelo excesso de candidatos, nem todos recomendáveis, como se pode ver no confuso diagrama abaixo incluído. Para resolver este problema, algumas mentes mais ébrias chegaram a avançar com a hipótese de um referendo popular entre os candidatos, o que devido à falta de democraticidade reinante e ao analfabetismo, depressa foi abandonada.
A principal problemática da regência era a de que o cargo de rei dava também acesso à presidência da liga portuguesa de futebol e, como tal, a cadeira mais importante do país não poderia ser entregue a qualquer um. Com a morte de D.Fernando, a regência passa para a sua mulher Dª.Leonor Teles, que trata de a passar a sua filha Dª Beatriz, para poder estar mais tempo com o fidalgo castelhano João Fernandes Andeiro. O povo e as suas línguas viperinas de inveja começaram a zurzir contra Dª Leonor, a “desavergonhada que deixava o reino nas mãos da filha, a qual não percebia nada de futebol, para se entreter na alcova com o conde Andeiro”. O facto de não ter comparecido às cerimónias fúnebres de seu marido, gerou uma onda de indignação e revolta que a tornou ainda mais impopular, embora Dª Leonor tenha apresentado atestado médico comprovando a ausência com um súbito ataque de disenteria.
Para compensar a inépcia de Dª Beatriz, juntava-se o poder do conde Andeiro que, do leito do amor, manobrava todos os cordelinhos (dos espartilhos e dos outros), atribuindo subsídios apenas aos amigos castelhanos e usando e abusando de dinheiros públicos para adquirir carruagens particulares com cocheiro, que usava nas suas funções de secretário geral da federação. Como se percebe, algo completamente impossível hoje em dia.
A alma lusitana pressentia o perigo de Castela pesando sobre a terra portuguesa e a firme vontade de varrer, de uma vez para sempre, a intromissão do elemento estrangeiro na nossa vida veio ao de cima, enquanto Leonor Teles se mostrava executora de uma política desastrada. Havia que arranjar um rei português, o mais rapidamente possível. Pensava-se geralmente no infante D.João, filho de D.Pedro e Dª Inês de Castro, mas ele estava em Castela, incomunicável, acompanhando o seu irmão numa cura de desintoxicação numa clínica privada muito conhecida.
Por isso, se voltaram para outro filho bastardo de D.Pedro (felizmente, que os havia em fartura), também de nome João, que por essas alturas ganhava a vida com um bem sucedido negócio de aluguer de viaturas, a “Avis rent-a-coche”, fazendo alugueres comerciais e de fim de semana, com ou sem cocheiro, para todo o país e estrangeiro e com condições especiais para empresas. E tanto sucesso tinha que no local da sua loja era conhecido por D.João Mestre de Avis, alcunha que viria a pegar pela vida fora. É a D.João que os cabecilhas recorrem com o plano para assassinar o conde Andeiro, o qual consistia em entrar no palácio pela calada da noite e dar uma facada no conde enquanto ele estivesse no duche. Houve quem lhe chamasse Operação “Psico”, mas esse nome foi abandonado por ser considerado demasiado Hitchcockiano.
Mas nem tudo correu conforme o planeado. D.João não conhecia a planta do palácio e enganou-se no caminho, indo parar às adegas da cave, onde ficou trancado durante duas ou três horas. Cá fora, face à demora do Mestre de Avis, começou a correr o boato que o conde Andeiro tinha apanhado o Mestre e o tinha morto. Perante isto, a reacção do povo foi uma desgraça pois D.João era muito respeitado, além de ter a única loja de aluguer de coches nas redondezas.
Na verdade o conde Andeiro acabou mesmo por morrer ao escorregar no poliban durante o duche, batendo com a cabeça nas torneiras. Por isso, após beber alguns tonéis e conseguir rebentar com a porta da adega, D.João apareceu cambaleante a uma janela do palácio, rejubilando o povo e nomeando-o logo ali como regedor-mor da federação portuguesa de futebol. Dª Leonor em face da evolução dos acontecimentos e com receio que lhe cortassem a parte superior da garganta, fugiu para Santarém, donde enviou um pombo-correio a pedir auxílio ao seu genro, D.João, rei de Castela. Este, tinha há muito tempo em vista os domínios da sogra e o seu apelo foi tudo quanto bastou para avançar. Interessava-lhe a presidência da federação portuguesa de futebol, pois um dos seus objectivos era fundir o campeonato castelhano com o nosso, formando um torneio ibérico mais competitivo e atractivo, para ser vendido às televisões por muitos milhões de maravedis.
18/12/11
1ª DINASTIA
Eis-nos chegados ao fim do estudo da primeira dinastia real, também chamada de dinastia dos Afonsinhos. Os seus descendentes tentaram retomar o trono (pelo menos o da música pop) em meados da década de 80 do séc.XX, como um grupo auto-intitulado "Os Afonsinhos do Condado", mas tirando o mega-hit "a salsa das Amoreiras", não chegaram muito longe.
D.AFONSO HENRIQUES (1128-1185) – O FUNDIDOR – porque enquanto pôde e teve saúde, tratou de fundir a paciência à mãe, a familiares e a muçulmanos, embora, pessoalmente, nada tivesse contra eles.
D.SANCHO I (1185-1211) – O POVOADOR – porque à sua conta, quer legítima quer ilegítimamente (sobretudo), tratou de povoar o reino com jovens rebentos. O apelido de Pai da Nação, que então corria, não era inteiramente descabido.
D.AFONSO II (1211-1223) – O OBESO – também conhecido como excessivamente largo, porque se dedicou ao fortalecimento do poder real, especialmente o seu. Ainda assim, foi convocado para a primeira selecção ibérica em 1212.
D.SANCHO II (1223-1248) – O CABELO – na impossibilidade de o cognomear “o careca”, ficou assim conhecido por não levantar cabelo contra os senhores feudais que aumentavam o seu poder a olhos vistos, excepto aos do rei. Um verdadeiro D.Chacho.
D.AFONSO III (1248-1279) – O BOLONHÊS – porque inventou o termo “pizza à bolonhesa” ao dar uma carga de porrada no irmão. A sua receita de raviolis à bolonhesa já não teve tanto sucesso.
D.DINIS (1279-1325) – O JOVEM AGRICULTOR – porque era este o seu hobby, onde gastou os rendimentos que a sua veia artística lhe proporcionava, cantando rimas às damas. Incluindo as trabalhadoras liberais nas margens dos pinhais de Leiria.
D.AFONSO IV (1325-1357) – O PARVO – porque se empenhou em guerras inúteis com Castela, para depois se juntar a eles na Batalha da Salada, contra os muçulmanos. Viu a peste preta invadir-lhe o reino, coisa que não é bonita de se ver.
D.PEDRO I (1357-1367) – O VINGADOR – porque lutou tenazmente contra os excessos burocráticos que lhe vitimaram a amada Dª Inês. Conseguiu a vingança a quente, que não é a que melhor sabe, dizem os chineses.
D.FERNANDO (1367-1383) – O FAMOSO – especialmente entre as mulheres, era-o muito, com destaque para as Leonores, que ansiavam que ele as escolhesse para rainhas, devido à sua fixação por esse nome. Apenas uma o conseguiu.
D.AFONSO HENRIQUES (1128-1185) – O FUNDIDOR – porque enquanto pôde e teve saúde, tratou de fundir a paciência à mãe, a familiares e a muçulmanos, embora, pessoalmente, nada tivesse contra eles.
D.SANCHO I (1185-1211) – O POVOADOR – porque à sua conta, quer legítima quer ilegítimamente (sobretudo), tratou de povoar o reino com jovens rebentos. O apelido de Pai da Nação, que então corria, não era inteiramente descabido.
D.AFONSO II (1211-1223) – O OBESO – também conhecido como excessivamente largo, porque se dedicou ao fortalecimento do poder real, especialmente o seu. Ainda assim, foi convocado para a primeira selecção ibérica em 1212.
D.SANCHO II (1223-1248) – O CABELO – na impossibilidade de o cognomear “o careca”, ficou assim conhecido por não levantar cabelo contra os senhores feudais que aumentavam o seu poder a olhos vistos, excepto aos do rei. Um verdadeiro D.Chacho.
D.AFONSO III (1248-1279) – O BOLONHÊS – porque inventou o termo “pizza à bolonhesa” ao dar uma carga de porrada no irmão. A sua receita de raviolis à bolonhesa já não teve tanto sucesso.
D.DINIS (1279-1325) – O JOVEM AGRICULTOR – porque era este o seu hobby, onde gastou os rendimentos que a sua veia artística lhe proporcionava, cantando rimas às damas. Incluindo as trabalhadoras liberais nas margens dos pinhais de Leiria.
D.AFONSO IV (1325-1357) – O PARVO – porque se empenhou em guerras inúteis com Castela, para depois se juntar a eles na Batalha da Salada, contra os muçulmanos. Viu a peste preta invadir-lhe o reino, coisa que não é bonita de se ver.
D.PEDRO I (1357-1367) – O VINGADOR – porque lutou tenazmente contra os excessos burocráticos que lhe vitimaram a amada Dª Inês. Conseguiu a vingança a quente, que não é a que melhor sabe, dizem os chineses.
D.FERNANDO (1367-1383) – O FAMOSO – especialmente entre as mulheres, era-o muito, com destaque para as Leonores, que ansiavam que ele as escolhesse para rainhas, devido à sua fixação por esse nome. Apenas uma o conseguiu.
16/10/11
ENTRE MARIAS E LEONORES - O FIM DE UMA DINASTIA
No meio de todas as diatribes, D.Fernando tomou algumas acertadas medidas de fomento do bem público, embora não esteja ainda comprovado que não foram acções tomadas por acaso. Entre elas, conta-se o desenvolvimento do comércio naval e da marinha, para o qual fundou, em Lisboa e no Porto, a “Companhia das Naus, SA”, sociedade de aluguer de navios de longa duração, companhia muito útil aos burgueses que viam suas embarcações a navegar como o prego ou a serem atacadas por piratas com olho de vidro, perna de pau e cara de mau. Não confundir com piratas de cara de pau, pertencentes às finanças do reino.
Do abandono dos campos e do aumento da vagabundagem surgiu outra das medidas emblemáticas. Da sua varanda sem marquise, D.Fernando verificava que os campos à sua volta estavam cada vez mais em pousio, mas o que mais o intrigava era ver, à sombra de um sobreiro, seis mulheres que ali passavam as horas, dia após dia, aparentemente sem nada fazerem, o que o intrigava sobre qual seria o seu modo de vida. Enviando lá seu pagem, este trouxe a explicação: as seis mulheres tinham todas o nome de Maria. A primeira era Maria Antonieta e nada fazia. Depois Maria Carolina observava a companheira e Maria Octaviana reportava os que as duas primeiras faziam. Havia também a Maria Terência que ouvia a Maria Octaviana e a Maria Rapaz, que confirmava o que ela dizia. Por fim, estava a Maria Vai Com As Outras, que ajudava as restantes. Perante tamanho exemplo de vadiagem com tantas terras por cultivar, D.Fernando decide publicar uma lei que solucione o problema: nasce a “Lei das Seis Marias”, que obriga todos os vagabundos a lavrarem as suas terras. Esta lei é também a institucionalização de um programa de ocupação temporária, com o objectivo de disfarçar a taxa de desemprego.
Por regra, D.Fernando trouxe mais problemas à coroa do que benefícios. Entre aqueles se conta a sua fixação por mulheres chamadas Leonor, ou, na palavra de Fernando Lápis, cronista-mor, uma verdadeira tara. Primeiro, comprometeu-se em casar com Dª Leonor, filha do rei de Aragão, mas abandonou a noiva à porta do registo civil porque, entretanto, se apaixonara por Dª Leonor, filha do rei de Castela, prometendo casar com ela. Só que D.Fernando tinha alma de político em campanha e, mais uma vez, faltou ao prometido por via da paixão assolapada por Dª Leonor Teles, que escritos da época descrevem como “senhora de mau porte e maus sentimentos, que não era séria”.
Daqui se depreende que Dª Leonor Teles era corcunda, invejosa e gostava de contar anedotas, sobejos motivos para que a população não gostasse dela. E quando D.Fernando a decide tornar primeira dama do reino e povo revolta-se em motim popular liderado pelo alfaiate Fernão Vasques, que dizia não haver tecido suficiente no reino para fazer um vestido de noiva à senhora. Dª Leonor Teles tomou isso muito a peito (que o tinha, generoso), e assim que convenceu D.Fernando a um casamento secreto em Leça do Balio, tratou de mandar executar os instigadores do motim, incluindo Fernão Vasques e todos os seus manequins de madeira. Terrível golpe para a moda portuguesa, do qual ela nunca mais haveria de recuperar, e terrível golpe para o país, que ficou sob o domínio de uma rainha que, embora não andasse com o rei na barriga (só teve uma filha), era suficientemente hipócrita, snob e convencida, para que as revistas sociais se interessassem por ela e a apresentassem em capa de todas as edições.
Em 1383 morre D.Fernando, esquecendo-se de fazer um filho antes disso, o que faz com que Portugal entre num grave período de crise social. É também agora que se dá o fim da primeira dinastia, chamada de Dinastia dos Afonsinhos. Antes de passarmos à fase seguinte, é de toda a utilidade que os nossos jovens leitores nos acompanhem num breve resumo sobre quem foram os reis deste período, matéria que poderá ser muito utilizada na construção de futuros auxiliares de memória a usar nos testes.
Esse resumo será o nosso próximo capítulo.
Do abandono dos campos e do aumento da vagabundagem surgiu outra das medidas emblemáticas. Da sua varanda sem marquise, D.Fernando verificava que os campos à sua volta estavam cada vez mais em pousio, mas o que mais o intrigava era ver, à sombra de um sobreiro, seis mulheres que ali passavam as horas, dia após dia, aparentemente sem nada fazerem, o que o intrigava sobre qual seria o seu modo de vida. Enviando lá seu pagem, este trouxe a explicação: as seis mulheres tinham todas o nome de Maria. A primeira era Maria Antonieta e nada fazia. Depois Maria Carolina observava a companheira e Maria Octaviana reportava os que as duas primeiras faziam. Havia também a Maria Terência que ouvia a Maria Octaviana e a Maria Rapaz, que confirmava o que ela dizia. Por fim, estava a Maria Vai Com As Outras, que ajudava as restantes. Perante tamanho exemplo de vadiagem com tantas terras por cultivar, D.Fernando decide publicar uma lei que solucione o problema: nasce a “Lei das Seis Marias”, que obriga todos os vagabundos a lavrarem as suas terras. Esta lei é também a institucionalização de um programa de ocupação temporária, com o objectivo de disfarçar a taxa de desemprego.
Por regra, D.Fernando trouxe mais problemas à coroa do que benefícios. Entre aqueles se conta a sua fixação por mulheres chamadas Leonor, ou, na palavra de Fernando Lápis, cronista-mor, uma verdadeira tara. Primeiro, comprometeu-se em casar com Dª Leonor, filha do rei de Aragão, mas abandonou a noiva à porta do registo civil porque, entretanto, se apaixonara por Dª Leonor, filha do rei de Castela, prometendo casar com ela. Só que D.Fernando tinha alma de político em campanha e, mais uma vez, faltou ao prometido por via da paixão assolapada por Dª Leonor Teles, que escritos da época descrevem como “senhora de mau porte e maus sentimentos, que não era séria”.
Daqui se depreende que Dª Leonor Teles era corcunda, invejosa e gostava de contar anedotas, sobejos motivos para que a população não gostasse dela. E quando D.Fernando a decide tornar primeira dama do reino e povo revolta-se em motim popular liderado pelo alfaiate Fernão Vasques, que dizia não haver tecido suficiente no reino para fazer um vestido de noiva à senhora. Dª Leonor Teles tomou isso muito a peito (que o tinha, generoso), e assim que convenceu D.Fernando a um casamento secreto em Leça do Balio, tratou de mandar executar os instigadores do motim, incluindo Fernão Vasques e todos os seus manequins de madeira. Terrível golpe para a moda portuguesa, do qual ela nunca mais haveria de recuperar, e terrível golpe para o país, que ficou sob o domínio de uma rainha que, embora não andasse com o rei na barriga (só teve uma filha), era suficientemente hipócrita, snob e convencida, para que as revistas sociais se interessassem por ela e a apresentassem em capa de todas as edições.
Em 1383 morre D.Fernando, esquecendo-se de fazer um filho antes disso, o que faz com que Portugal entre num grave período de crise social. É também agora que se dá o fim da primeira dinastia, chamada de Dinastia dos Afonsinhos. Antes de passarmos à fase seguinte, é de toda a utilidade que os nossos jovens leitores nos acompanhem num breve resumo sobre quem foram os reis deste período, matéria que poderá ser muito utilizada na construção de futuros auxiliares de memória a usar nos testes.
Esse resumo será o nosso próximo capítulo.
08/10/11
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO (parte III)
O reinado de D.Afonso IV marcou o início de um período de crise social (mais outro). A população fugiu do interior para o litoral, em busca de praias e bons empregos nas cidades, deixando os campos ao abandono. Tudo se agrava em 1348, com aquilo a que os historiadores (da escola Ariana) costumam designar por Peste Negra, que se traduziu na vinda ilegal para o país de milhares de trabalhadores africanos, que ofereciam o seu trabalho por metade dos salários habituais para os servos da gleba locais.
Este período é designado por peste, uma vez que os trabalhadores que tinham vindo do interior, viam agora os seus postos de trabalho ocupados por africanos ilegais, ficando, por isso, sem emprego, sem sustento e morrendo aos milhares. Durante este período, a população decresceu cerca de um terço, assim o demonstram os censos, embora haja dúvidas sobre a autenticidade destes números, pois, por um lado, os inquéritos não eram preenchidos pela internet, o que dava azo a falsificações e, por outro, o próprio fenómeno da peste apanhou alguns dos responsáveis pela estatística, que morreram antes de completar os recenseamentos. Alguns anos depois, tão misteriosamente como tinha surgido, este período, dos mais negros da nossa história, cessou.
Mas o reinado de D.Afonso IV também teve coisas boas, entre elas a inovação na justiça que, até aí, era administrada por “juízes da terra” - do lugar onde ocorriam os problemas. Ora, devido à sua função de aplicação da justiça, o juiz era considerado um santo homem e, como diz o povo, santos da terra não fazem milagres. Acresce que, por vezes, obter justiça era um milagre, portanto, os homens da terra poderiam falhar. É então que D.Afonso IV descobre o ovo de Colombo (ainda antes do dito) ao inventar a figura de “juiz de fora”, mais independente que o “juiz de dentro” - ao fim e ao cabo, um protótipo do pensamento neo-liberal de administração da função pública, de contratação externa de serviços para algo já assegurado pelo pessoal contratado.
A patente de tal invenção rendeu-lhe bom dinheiro, mas não o suficiente para resolver a crise económico-social que se instalara. Greves, manifestações do operariado e ordens para apertar o cinto (para os que o tinham, dado não ser acessório muito em voga na época), marcavam o ritmo de uma época conturbada. É neste cenário que se dá o episódio dos amores de Pedro e Inês, bastante comentado pela imprensa da época e que até motivou Camões num dos seus devaneios poéticos, o que veio ajudar à propagação do mito. O propósito do autor desta obra (a VERDADEIRA história de Portugal, não os devaneios poéticos) é o de não enganar ninguém, pelo que se opta por contar os factos verídicos e não a versão romanceada que se ensina por aí.
O filho de D.Afonso IV, príncipe D.Pedro, ficou subitamente viúvo pela morte de D.Constança e, pouco depois, tratou de arranjar nova companhia, pois um membro da família real tem a todo o custo de deixar descendência (veja-se o caso de D.Duarte Pio, nos últimos anos do século passado). Após várias tentativas frustradas para encontrar abrigo num colo acolhedor, D.Pedro decide recorrer aos serviços de uma agência matrimonial especialista em juntar pessoas compatíveis. O resultado dos vários testes de sangue e exames psicotécnicos, indica o nome de D.Inês de Castro, senhora de origem castelhana e rara beleza, que imediatamente arrebata o coração de D.Pedro, pronto para o casamento (e também para o acasalamento).
Mas nem tudo era tão fácil como à primeira vista se supunha. O casamento de um rei exige certas burocracias e formalidades a cumprir. Para mais, D.Inês era castelhana e havia o problema da legalização dos estrangeiros, além de que, os funcionários encarregues do processo (Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco) eram escriturários pagos à hora, interessados em arrastar o mais possível todo o trabalho que tivessem entre mãos. Demoraram-se eternidades, exigiram-se mil e um documentos e as preocupações foram tantas que, entretanto, D.Inês morreu com um ataque de stress pré-matrimonial agudo. D.Pedro entrou numa melancólica depressão nervosa e apenas o ombro amigo da sua mãe D.Beatriz o conseguiu consolar um pouco.
Assim que sobe ao trono, em 1357, D.Pedro adquire uma segunda personalidade, que se vai vingar dos três funcionários burocratas. De dia, ele é D.Pedro I, o rei que vai colocá-los em tribunal com processos por conduta criminosa e lentidão provocadora de danos morais. De noite, ele veste-se de negro e é “Peter-the-avenger”, escrevendo centenas de processos que envia para a agência matrimonial, sobrecarregando os três funcionários com trabalho extra sobre clientes fictícios. Os efeitos de tal vingança são devastadores: Álvaro Gonçalves morre de enfarte cardíaco, a carimbar papéis; Pêro Coelho apanha um esgotamento nervoso a tentar arquivar processos e fica demente mental para o resto da vida; Diogo Lopes Pacheco consegue escapar porque se encontra em férias numa casa de campo do Ribatejo, mas morre no último dia de descanso, colhido por um touro bravo.
Consumada a vingança, D.Pedro tenta voltar à pacatez da sua vida de rei, que no entanto é quebrada de quando em vez por determinações do Papa, que tinham força legal no país, sem o conhecimento do rei. Para contrariar tal costume medieval, D.Pedro institui o “Beneplácito Régio”, forma de português arcaico para a expressão “bem plácido régio”, ou seja, rei bem descansado, o que significava que não quereria ser apanhado de surpresa por um decreto papal e, por isso, cada intervenção da cúria romana na vida portuguesa teria de ser, primeiro, aceite ou não pelo rei.
Em 1367 sucede-lhe o seu filho D.Fernando e, se por um lado tenta salvar o reino da crise que seu pai não resolvera, por outro, o seu bichinho carpinteiro da conquista começa a rabiar e ele lança-se em guerras com Castela. Em busca de terras para conquistar (e por falta de opções, há que reconhecer), D.Fernando lança-se por três vezes contra os vizinhos castelhanos e por três vezes apanha porrada de três em pipa para contar aos netos.
Umas vezes sozinhos, outras acompanhados pelos ingleses (é desta data a aliança luso-inglesa, a mais antiga do mundo e que tantos problemas nos trouxe mais tarde, só resolvidos no Euro 2004), os portugueses apenas conseguiram fazer com que os castelhanos se chateassem a sério, invadindo o nosso reino e cercando Lisboa durante uns tempos. Só depois, D.Fernando cai em si e passa a ter juízo, pois já tinha idade para isso.
Este período é designado por peste, uma vez que os trabalhadores que tinham vindo do interior, viam agora os seus postos de trabalho ocupados por africanos ilegais, ficando, por isso, sem emprego, sem sustento e morrendo aos milhares. Durante este período, a população decresceu cerca de um terço, assim o demonstram os censos, embora haja dúvidas sobre a autenticidade destes números, pois, por um lado, os inquéritos não eram preenchidos pela internet, o que dava azo a falsificações e, por outro, o próprio fenómeno da peste apanhou alguns dos responsáveis pela estatística, que morreram antes de completar os recenseamentos. Alguns anos depois, tão misteriosamente como tinha surgido, este período, dos mais negros da nossa história, cessou.
Mas o reinado de D.Afonso IV também teve coisas boas, entre elas a inovação na justiça que, até aí, era administrada por “juízes da terra” - do lugar onde ocorriam os problemas. Ora, devido à sua função de aplicação da justiça, o juiz era considerado um santo homem e, como diz o povo, santos da terra não fazem milagres. Acresce que, por vezes, obter justiça era um milagre, portanto, os homens da terra poderiam falhar. É então que D.Afonso IV descobre o ovo de Colombo (ainda antes do dito) ao inventar a figura de “juiz de fora”, mais independente que o “juiz de dentro” - ao fim e ao cabo, um protótipo do pensamento neo-liberal de administração da função pública, de contratação externa de serviços para algo já assegurado pelo pessoal contratado.
A patente de tal invenção rendeu-lhe bom dinheiro, mas não o suficiente para resolver a crise económico-social que se instalara. Greves, manifestações do operariado e ordens para apertar o cinto (para os que o tinham, dado não ser acessório muito em voga na época), marcavam o ritmo de uma época conturbada. É neste cenário que se dá o episódio dos amores de Pedro e Inês, bastante comentado pela imprensa da época e que até motivou Camões num dos seus devaneios poéticos, o que veio ajudar à propagação do mito. O propósito do autor desta obra (a VERDADEIRA história de Portugal, não os devaneios poéticos) é o de não enganar ninguém, pelo que se opta por contar os factos verídicos e não a versão romanceada que se ensina por aí.
O filho de D.Afonso IV, príncipe D.Pedro, ficou subitamente viúvo pela morte de D.Constança e, pouco depois, tratou de arranjar nova companhia, pois um membro da família real tem a todo o custo de deixar descendência (veja-se o caso de D.Duarte Pio, nos últimos anos do século passado). Após várias tentativas frustradas para encontrar abrigo num colo acolhedor, D.Pedro decide recorrer aos serviços de uma agência matrimonial especialista em juntar pessoas compatíveis. O resultado dos vários testes de sangue e exames psicotécnicos, indica o nome de D.Inês de Castro, senhora de origem castelhana e rara beleza, que imediatamente arrebata o coração de D.Pedro, pronto para o casamento (e também para o acasalamento).
Mas nem tudo era tão fácil como à primeira vista se supunha. O casamento de um rei exige certas burocracias e formalidades a cumprir. Para mais, D.Inês era castelhana e havia o problema da legalização dos estrangeiros, além de que, os funcionários encarregues do processo (Álvaro Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco) eram escriturários pagos à hora, interessados em arrastar o mais possível todo o trabalho que tivessem entre mãos. Demoraram-se eternidades, exigiram-se mil e um documentos e as preocupações foram tantas que, entretanto, D.Inês morreu com um ataque de stress pré-matrimonial agudo. D.Pedro entrou numa melancólica depressão nervosa e apenas o ombro amigo da sua mãe D.Beatriz o conseguiu consolar um pouco.
Assim que sobe ao trono, em 1357, D.Pedro adquire uma segunda personalidade, que se vai vingar dos três funcionários burocratas. De dia, ele é D.Pedro I, o rei que vai colocá-los em tribunal com processos por conduta criminosa e lentidão provocadora de danos morais. De noite, ele veste-se de negro e é “Peter-the-avenger”, escrevendo centenas de processos que envia para a agência matrimonial, sobrecarregando os três funcionários com trabalho extra sobre clientes fictícios. Os efeitos de tal vingança são devastadores: Álvaro Gonçalves morre de enfarte cardíaco, a carimbar papéis; Pêro Coelho apanha um esgotamento nervoso a tentar arquivar processos e fica demente mental para o resto da vida; Diogo Lopes Pacheco consegue escapar porque se encontra em férias numa casa de campo do Ribatejo, mas morre no último dia de descanso, colhido por um touro bravo.
Consumada a vingança, D.Pedro tenta voltar à pacatez da sua vida de rei, que no entanto é quebrada de quando em vez por determinações do Papa, que tinham força legal no país, sem o conhecimento do rei. Para contrariar tal costume medieval, D.Pedro institui o “Beneplácito Régio”, forma de português arcaico para a expressão “bem plácido régio”, ou seja, rei bem descansado, o que significava que não quereria ser apanhado de surpresa por um decreto papal e, por isso, cada intervenção da cúria romana na vida portuguesa teria de ser, primeiro, aceite ou não pelo rei.
Em 1367 sucede-lhe o seu filho D.Fernando e, se por um lado tenta salvar o reino da crise que seu pai não resolvera, por outro, o seu bichinho carpinteiro da conquista começa a rabiar e ele lança-se em guerras com Castela. Em busca de terras para conquistar (e por falta de opções, há que reconhecer), D.Fernando lança-se por três vezes contra os vizinhos castelhanos e por três vezes apanha porrada de três em pipa para contar aos netos.
Umas vezes sozinhos, outras acompanhados pelos ingleses (é desta data a aliança luso-inglesa, a mais antiga do mundo e que tantos problemas nos trouxe mais tarde, só resolvidos no Euro 2004), os portugueses apenas conseguiram fazer com que os castelhanos se chateassem a sério, invadindo o nosso reino e cercando Lisboa durante uns tempos. Só depois, D.Fernando cai em si e passa a ter juízo, pois já tinha idade para isso.
18/09/11
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO (parte II)
Em sequência ao relatado no capítulo anterior (se não se lembra, é favor retroceder e ler), D.Dinis era um dos reis mais amados pelos portugueses. Porquê? Porque além da sua personalidade, tinha a seu lado um verdadeiro anjo da guarda, que era a rainha D.Isabel de Aragão.
O povo e a igreja chamavam-lhe Rainha Santa e é um facto que D.Isabel fazia ,milagres para esticar o orçamento familiar e conseguir alimentar o numeroso agregado. Pois se um rei ganha bem, também é verdade que tem muitas despesas a que fazer face e a sua mesa não era tão farta e rica como o povo supunha. Se havia dias com faustosos banquetes, isso devia-se à gestão doméstica de D.Isabel, de quem diz a lenda transformava rosas em pão, para poder encher a mesa.
Também o ambiente familiar era cheio de tensões. D.Dinis era muito esquisito com a roupa limpa e passada a ferro, gostava de refeições a horas certas e de ler o pergaminho em silêncio. O seu filho, D.Afonso, era rebelde e intratável, invejava os filhos ilegítimos de seu pai e aguardava a feitura do testamento para se assegurar que ficaria com tudo. O irmão de D.Dinis cobiçava-lhe a casa, a mulher e os cavalos, embora tivesse vindo a morrer antes de conseguir qualquer das três coisas. Todas estas disputas familiares foram resolvidas por D.Isabel (que tinha uma paciência de santa), inclusivé a disputa entre pai e filho que no campo de Alvalade ameaçou o país com uma guerra sangrenta. A rainha santa apareceu como um anjo bom, espalhando a concórdia entre as partes e resolvendo a contenda. Apesar disso, um terrível estigma abateu-se sobre todos os campos de Alvalade e, até hoje, os seus proprietários desesperam por algo de bom...
Antes de morrer, em 1325, D.Dinis expressou o seu desejo de ser sepultado num convento em Lisboa. Contudo, a especulação imobiliária levou a que se tornasse incomportável fazer um convento na capital, pelo que, após pesquisas com a Remax, a escolha tenha recaído em Odivelas, onde hoje repousa o seu túmulo. Sobe ao poder o seu filho, D.Afonso IV, que, mantendo seu espírito rebelde e na falta de terras para conquistar aos mouros, lança-se em guerras com quem encontra pela frente. Primeiro, com o seu meio-irmão Afonso Sanches, que o tenta envenenar. Contudo, dado que o veneno não era grande coisa, o máximo que Afonso Sanches consegue é uma violenta cólica intestinal em D.Afonso IV, o que o deixa irritadíssimo (do cólon e de espírito) e com vontade de decapitar seu meio-irmão. Mais uma vez, é a sua mãe, rainha santa Isabel que consegue pôr um fim a esta guerra familiar.
De seguida, este jovem rebelde lança-se sobre Afonso de Castela e também aqui os historiadores têm induzido o povo em erro, quanto aos motivos desta guerra com o reino vizinho. Alguns defendem que a guerra se deu porque o rei de Castela não deixava passar uma moçoila, D.Constança, que já catrapiscava o filho do rei português. Outros avançam com a hipótese que D.Afonso IV se meteu ao barulho porque a sua filha (casada com D.Afonso XI de Castela) sofria de maus tratos em casa, obrigada a lavar tachos e coser meias de sol a sol.
Pois a verdade é outra, e vem contada por Mestre Fernão Lápis, contador-mor do reino, numa crónica recentemente encontrada nas despensas da Torre do Tombo, já meio roída pelos ratos. Ali se descreve que D.Afonso IV se enfureceu ao saber que o rei vizinho lhe plagiara o nome Afonso acrescendo apenas um XI só para ostentar superioridade, o que levou o rei português a declarar-lhe guerra só para limpar esta afronta. Porém, o papa Bento XII serviu de medianeiro e estabeleceu acordos de cessar-fogo entre as partes.
No entanto, um ano depois, já o rei de Castela pedia ajuda ao de Portugal, pois os seus domínios estavam a ser invadidos por um poderosíssimo grupo comercial muçulmano, que tenta alterar os hábitos dos habitantes da Península Ibérica, fazendo-os adoptar na sua alimentação saladas preparadas segundo o Corão, sem carne de porco, mas com tâmaras e cous-cous, entre outros ingredientes. Ora o rei de Castela, católico por tradição, não poderia consentir que a tradicional salada de alface e tomate fosse substituída. Aos castelhanos faltaram tomates para enfrentar a situação como homenzinhos e tiveram de recorrer aos portugueses. D.Afonso IV arma um pequeno mas potente exército e parte em auxílio de D.Afonso XI, falando mais alto o seu sentido de dever do que as desavenças com o genro. E é isso que faz os portugueses darem uma valente coça nos muçulmanos, obrigando-os a recuar para Marrocos. Foi a batalha da Salada em 1340, e nela ficou patente quem tinha audácia e tomates na Península Ibérica.
O povo e a igreja chamavam-lhe Rainha Santa e é um facto que D.Isabel fazia ,milagres para esticar o orçamento familiar e conseguir alimentar o numeroso agregado. Pois se um rei ganha bem, também é verdade que tem muitas despesas a que fazer face e a sua mesa não era tão farta e rica como o povo supunha. Se havia dias com faustosos banquetes, isso devia-se à gestão doméstica de D.Isabel, de quem diz a lenda transformava rosas em pão, para poder encher a mesa.
Também o ambiente familiar era cheio de tensões. D.Dinis era muito esquisito com a roupa limpa e passada a ferro, gostava de refeições a horas certas e de ler o pergaminho em silêncio. O seu filho, D.Afonso, era rebelde e intratável, invejava os filhos ilegítimos de seu pai e aguardava a feitura do testamento para se assegurar que ficaria com tudo. O irmão de D.Dinis cobiçava-lhe a casa, a mulher e os cavalos, embora tivesse vindo a morrer antes de conseguir qualquer das três coisas. Todas estas disputas familiares foram resolvidas por D.Isabel (que tinha uma paciência de santa), inclusivé a disputa entre pai e filho que no campo de Alvalade ameaçou o país com uma guerra sangrenta. A rainha santa apareceu como um anjo bom, espalhando a concórdia entre as partes e resolvendo a contenda. Apesar disso, um terrível estigma abateu-se sobre todos os campos de Alvalade e, até hoje, os seus proprietários desesperam por algo de bom...
Antes de morrer, em 1325, D.Dinis expressou o seu desejo de ser sepultado num convento em Lisboa. Contudo, a especulação imobiliária levou a que se tornasse incomportável fazer um convento na capital, pelo que, após pesquisas com a Remax, a escolha tenha recaído em Odivelas, onde hoje repousa o seu túmulo. Sobe ao poder o seu filho, D.Afonso IV, que, mantendo seu espírito rebelde e na falta de terras para conquistar aos mouros, lança-se em guerras com quem encontra pela frente. Primeiro, com o seu meio-irmão Afonso Sanches, que o tenta envenenar. Contudo, dado que o veneno não era grande coisa, o máximo que Afonso Sanches consegue é uma violenta cólica intestinal em D.Afonso IV, o que o deixa irritadíssimo (do cólon e de espírito) e com vontade de decapitar seu meio-irmão. Mais uma vez, é a sua mãe, rainha santa Isabel que consegue pôr um fim a esta guerra familiar.
De seguida, este jovem rebelde lança-se sobre Afonso de Castela e também aqui os historiadores têm induzido o povo em erro, quanto aos motivos desta guerra com o reino vizinho. Alguns defendem que a guerra se deu porque o rei de Castela não deixava passar uma moçoila, D.Constança, que já catrapiscava o filho do rei português. Outros avançam com a hipótese que D.Afonso IV se meteu ao barulho porque a sua filha (casada com D.Afonso XI de Castela) sofria de maus tratos em casa, obrigada a lavar tachos e coser meias de sol a sol.
Pois a verdade é outra, e vem contada por Mestre Fernão Lápis, contador-mor do reino, numa crónica recentemente encontrada nas despensas da Torre do Tombo, já meio roída pelos ratos. Ali se descreve que D.Afonso IV se enfureceu ao saber que o rei vizinho lhe plagiara o nome Afonso acrescendo apenas um XI só para ostentar superioridade, o que levou o rei português a declarar-lhe guerra só para limpar esta afronta. Porém, o papa Bento XII serviu de medianeiro e estabeleceu acordos de cessar-fogo entre as partes.
No entanto, um ano depois, já o rei de Castela pedia ajuda ao de Portugal, pois os seus domínios estavam a ser invadidos por um poderosíssimo grupo comercial muçulmano, que tenta alterar os hábitos dos habitantes da Península Ibérica, fazendo-os adoptar na sua alimentação saladas preparadas segundo o Corão, sem carne de porco, mas com tâmaras e cous-cous, entre outros ingredientes. Ora o rei de Castela, católico por tradição, não poderia consentir que a tradicional salada de alface e tomate fosse substituída. Aos castelhanos faltaram tomates para enfrentar a situação como homenzinhos e tiveram de recorrer aos portugueses. D.Afonso IV arma um pequeno mas potente exército e parte em auxílio de D.Afonso XI, falando mais alto o seu sentido de dever do que as desavenças com o genro. E é isso que faz os portugueses darem uma valente coça nos muçulmanos, obrigando-os a recuar para Marrocos. Foi a batalha da Salada em 1340, e nela ficou patente quem tinha audácia e tomates na Península Ibérica.
20/08/11
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
Correndo o risco de acabar com uma das características que será imagem de marca de Portugal nos anos vindouros, D.Afonso III decide organizar o Estado. Além de reforçar o seu poder, pretende fiscalizar o autêntico regabofe que os grandes senhores faziam nas conservatórias de registo predial, quanto à posse e autonomia de terras desocupadas. Por um lado, manda realizar inquirições (o Real Instituto de Estatística vai de porta em porta, apurando o que pertence ou não ao rei), por outro, institui as confirmações, onde, após nova coroação, os nobres teriam de comprovar a posse das terras que usufruíam. Escusado será dizer que esta medida provoca enormes filas de espera, onde os nobres, à chuva ou ao sol, perdem um dia ou mais de trabalho para entregar declarações em papel, em carruagens assinaladas com postos móveis da DGCIR-Direcção Geral de Contributos Impostos pelo Rei.
Em 1279 morre D.Afonso III, sucedendo-lhe seu filho D,Dinis. Com bastante olho para o negócio, vulgo espírito de merceeiro, e dado que naquela altura todos os negócios eram rentáveis, D.Dinis lança-se no mercado com todo o entusiasmo: apoia a agricultura sem olhar a subsídios europeus; auxilia a indústria, com incentivos à produção e planos de recuperação para empresas em dificuldades, além de apoiar a fixação de investimento estrangeiro em zonas desfavorecidas; protege o comércio interno criando uma rede de feiras francas (isto é, feiras sem reboliço nem engano, onde se pode comerciar à vontade); ajuda o comércio externo com a criação de empresas import-export aproveitando a passagem obrigatória das rotas marítimas pelo nosso país e fomenta a instrução criando a Universidade de Lisboa, onde as propinas não eram exageradas. Além disso, D.Dinis apoiou bastante os trovadores, pois também elel levava uma vida artística, recitando poesia nas melhores casas de espectáculos, granjeando fama e proveitos, que depois foram aplicados em acções ecológicas apoiadas pela Quercus, como as plantações dos pinhais de Leiria e Azambuja.A carreira artística de D.Dinis assentava sobretudo em músicas de melodia fácil, que entravam facilmente no ouvido ou em outros orifícios, e que estavam muito em voga na época, como as cantigas de amor ou as cantigas de amigo. As primeiras, apesar de cantadas em português arcaico, podem considerar-se as precursoras dos slows, ouvidas sobretudo em festas de garagem. As cantigas de amigo eram mais populares e podiam falar de tudo o que um homem quisesse, de futebol a fêmeas. É célebre aquele cantar de D.Dinis, com o mais suave sentimentalismo lusíada “Ai flores, ai flores do verde pino(...)”, que só viria a encontrar paralelo na nossa cultura já no séc.XX, com o também mui célebre “Nós pimba, nós pimba (...)”.
É também de destacar o apoio à Marinha, especialmente na construção de navios, tão úteis no transporte de trabalhadores, a partir da Trafaria e do Barreiro, para Lisboa. Contudo, o desenvolvimento da navegação traz problemas como os naufrágios, as retenções em portos estrangeiros e as brigas de marinheiros. Para remediar tais maleitas, D.Dinis cria em 1293 a “Bolsa dos Mercadores”, um alforge de couro escuro destinado a albergar moedas que cobririam as indemnizações em caso de acidente. Era um brilhante sistema de seguros, com preços surpreendentes e prémios bonificados até 50%, actualizados de acordo com o valor de mercado do navio. Para a perfeição, apenas faltava poder ser tratado por telefone o que, atendendo à inexistência do mesmo, não se poderá considerar como defeito.Este desenvolvimento da navegação e do comércio faz aparecer um novo tipo de parasita na sociedade: o burguês. Trajavam de igual como se tivessem saído de uma linha de montagem, andavam com uma pastinha de cabedal debaixo do braço e eram mestres na arte de bem ver sem muito fazer. Os mais novos eram os chamados “yuppies”, termo anglo-saxão para designar o tipo que dá pulos de contente quando conclui um negócio. Paralelamente, desenvolvem-se na cidade medieval todo o tipo de ofícios: primeiro, os necessários à própria urbe (carpinteiros, pedreiros, calçadores, almeidas e inspectores camarários); depois, os que respondiam às necessidades da população (alfaiates, sapateiros, padeiros, vendedores de lotaria e mulheres de má vida); e por fim, os que estavam ligados aos negócios do luxo (ourives, pintores, esteticistas e cronistas sociais).
Enquanto a sociedade fervilhava, D.Dinis promovia uma guerrinha constitucional com Castela, ocupando algumas terras entre os rios Côa e Douro. Os livros de história têm atribuído estas invasões ao facto do rei português querer definir fronteiras com Castela, o que não é correcto. Na verdade, e demonstrando mais uma vez a sua cultura e visão de futuro, D.Dinis apercebe-se que aquela região é extremamente rica em pinturas rupestres paleolíticas ao ar livre e que, bem aproveitado, o local daria um excelente parque arqueológico no futuro, quem sabe se, substituindo uma barragem. Por isso tratou de garantir a sua posse via Tratado de Alcanizes, em 1297, por engano do rei de Castela, Fernando IV de Castela, que nada sabia do assunto.
Mais ou menos por esta altura, surge a notícia de que o Papa pretende extinguir a Ordem dos Templários por não ser rentável. Perante a ameaça de despedimento de centenas de religiosos, D.Dinis aplica um extraordinário acto de gestão criando a Ordem de Cristo-E.P., passando para ela todos os funcionários e bens dos Templários. Com esta mudança de nome, constituiu-se uma nova sociedade com benefícios fiscais durante os primeiros cinco anos. Brilhante.
Em 1279 morre D.Afonso III, sucedendo-lhe seu filho D,Dinis. Com bastante olho para o negócio, vulgo espírito de merceeiro, e dado que naquela altura todos os negócios eram rentáveis, D.Dinis lança-se no mercado com todo o entusiasmo: apoia a agricultura sem olhar a subsídios europeus; auxilia a indústria, com incentivos à produção e planos de recuperação para empresas em dificuldades, além de apoiar a fixação de investimento estrangeiro em zonas desfavorecidas; protege o comércio interno criando uma rede de feiras francas (isto é, feiras sem reboliço nem engano, onde se pode comerciar à vontade); ajuda o comércio externo com a criação de empresas import-export aproveitando a passagem obrigatória das rotas marítimas pelo nosso país e fomenta a instrução criando a Universidade de Lisboa, onde as propinas não eram exageradas. Além disso, D.Dinis apoiou bastante os trovadores, pois também elel levava uma vida artística, recitando poesia nas melhores casas de espectáculos, granjeando fama e proveitos, que depois foram aplicados em acções ecológicas apoiadas pela Quercus, como as plantações dos pinhais de Leiria e Azambuja.A carreira artística de D.Dinis assentava sobretudo em músicas de melodia fácil, que entravam facilmente no ouvido ou em outros orifícios, e que estavam muito em voga na época, como as cantigas de amor ou as cantigas de amigo. As primeiras, apesar de cantadas em português arcaico, podem considerar-se as precursoras dos slows, ouvidas sobretudo em festas de garagem. As cantigas de amigo eram mais populares e podiam falar de tudo o que um homem quisesse, de futebol a fêmeas. É célebre aquele cantar de D.Dinis, com o mais suave sentimentalismo lusíada “Ai flores, ai flores do verde pino(...)”, que só viria a encontrar paralelo na nossa cultura já no séc.XX, com o também mui célebre “Nós pimba, nós pimba (...)”.
É também de destacar o apoio à Marinha, especialmente na construção de navios, tão úteis no transporte de trabalhadores, a partir da Trafaria e do Barreiro, para Lisboa. Contudo, o desenvolvimento da navegação traz problemas como os naufrágios, as retenções em portos estrangeiros e as brigas de marinheiros. Para remediar tais maleitas, D.Dinis cria em 1293 a “Bolsa dos Mercadores”, um alforge de couro escuro destinado a albergar moedas que cobririam as indemnizações em caso de acidente. Era um brilhante sistema de seguros, com preços surpreendentes e prémios bonificados até 50%, actualizados de acordo com o valor de mercado do navio. Para a perfeição, apenas faltava poder ser tratado por telefone o que, atendendo à inexistência do mesmo, não se poderá considerar como defeito.Este desenvolvimento da navegação e do comércio faz aparecer um novo tipo de parasita na sociedade: o burguês. Trajavam de igual como se tivessem saído de uma linha de montagem, andavam com uma pastinha de cabedal debaixo do braço e eram mestres na arte de bem ver sem muito fazer. Os mais novos eram os chamados “yuppies”, termo anglo-saxão para designar o tipo que dá pulos de contente quando conclui um negócio. Paralelamente, desenvolvem-se na cidade medieval todo o tipo de ofícios: primeiro, os necessários à própria urbe (carpinteiros, pedreiros, calçadores, almeidas e inspectores camarários); depois, os que respondiam às necessidades da população (alfaiates, sapateiros, padeiros, vendedores de lotaria e mulheres de má vida); e por fim, os que estavam ligados aos negócios do luxo (ourives, pintores, esteticistas e cronistas sociais).
Enquanto a sociedade fervilhava, D.Dinis promovia uma guerrinha constitucional com Castela, ocupando algumas terras entre os rios Côa e Douro. Os livros de história têm atribuído estas invasões ao facto do rei português querer definir fronteiras com Castela, o que não é correcto. Na verdade, e demonstrando mais uma vez a sua cultura e visão de futuro, D.Dinis apercebe-se que aquela região é extremamente rica em pinturas rupestres paleolíticas ao ar livre e que, bem aproveitado, o local daria um excelente parque arqueológico no futuro, quem sabe se, substituindo uma barragem. Por isso tratou de garantir a sua posse via Tratado de Alcanizes, em 1297, por engano do rei de Castela, Fernando IV de Castela, que nada sabia do assunto.
Mais ou menos por esta altura, surge a notícia de que o Papa pretende extinguir a Ordem dos Templários por não ser rentável. Perante a ameaça de despedimento de centenas de religiosos, D.Dinis aplica um extraordinário acto de gestão criando a Ordem de Cristo-E.P., passando para ela todos os funcionários e bens dos Templários. Com esta mudança de nome, constituiu-se uma nova sociedade com benefícios fiscais durante os primeiros cinco anos. Brilhante.
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